Falar sobre saúde mental tornou-se urgente, mas é preciso ir além do óbvio. Como mulher, esposa, mãe de três filhos, um deles autista, ocupo diversos papéis na sociedade. No entanto, há uma faceta da minha vida que exige uma atenção constante e silenciosa: convivo com o transtorno bipolar. Trata-se de uma condição que não tem cura, mas tem tratamento e é aqui que a atividade física entra como protagonista da minha jornada.
Há pouco mais de um ano comecei a pular corda. O que começou como um movimento simples tornou-se meu alento e minha salvação. Hoje, divido meu tempo entre a corda e a academia. Nos dias em que não treino, sinto que algo falta. O corpo reclama, e a mente também. Essa “necessidade” tem explicação científica: o bem-estar pós-exercício, impulsionado pela dopamina, o chamado hormônio da alegria, é o prêmio imediato por colocar o corpo em movimento.
@ludimilajumphope Aproveitando esse final de tarde lindo para deixar meu treino de corda em dia, sempre dando o meu melhor! #creatorsearchinsights #jumprope #autocuidado #autoestimafeminina #treinopesado
No consultório médico, a recomendação é universal: “Pratique atividade física”. Todos sabemos que ela é essencial, não apenas para a saúde mental, mas para a qualidade de vida e longevidade. No entanto, precisamos encarar a realidade: o discurso do bem-estar esbarra na estrutura do nosso sistema.
Vivemos sob uma configuração capitalista que, muitas vezes, nega o tempo e o acesso. Nem todos podem parar uma hora do dia para treinar, nem todos possuem recursos para pagar uma academia. Por isso, é contraditório falarmos da importância da prática de atividade física sem pressionarmos por políticas públicas eficazes. O acesso ao esporte e ao lazer não deveria ser um privilégio de quem tem tempo ou dinheiro, mas um direito garantido como está escrito em nossa Carta Magna.
Como trabalhadora e como alguém que vem sendo transformada pelo exercício, defendo que a conscientização precisa vir acompanhada de cobrança. Devemos falar sobre o assunto com amigos, nas redes sociais e nos jornais, mas precisamos, sobretudo, exigir que os governos, municipal, estadual e federal ofereçam espaços adequados e tempo garantido para que o trabalhador possa exercer seu direito à saúde.
A atividade física faz parte do meu tratamento e é um pilar da minha estabilidade emocional. Minha voz aqui é um convite à reflexão: vamos falar de saúde mental, vamos incentivar o movimento, mas vamos, acima de tudo, lutar para que esse “remédio” chamado exercício seja acessível a todos os brasileiros.
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