A pesquisa da consultoria argentina Zubán Córdoba, divulgada nesta segunda-feira, 10, revela que a maioria dos argentinos reprova as críticas de Javier Milei ao presidente Lula (PT). O levantamento mostra que 70,5% dos entrevistados não apoiam as investidas do mandatário argentino contra o líder brasileiro, enquanto 20% concordam com essa atitude e 9,5% se abstiveram de opinar.
Os resultados são divulgados em um contexto de crescente tensão nas relações entre os dois países. Em 25 de julho, durante uma convenção partidária do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, Milei fez um discurso em que chamou o presidente Lula de “ladrão e presidiário” e referiu-se ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, como “lixo careca” por não permitir sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
No dia seguinte, em uma entrevista a uma emissora de rádio argentina, Milei acusou o Brasil de liderar uma “campanha anti-Argentina” durante a Copa do Mundo. Também afirmou que Lula teria enviado marqueteiros ao país para influenciar as eleições presidenciais de 2023 e apoiar o candidato Sergio Massa, que acabou sendo derrotado. Na semana anterior, o extremista fez novas declarações ofensivas sobre o presidente brasileiro.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores optou por rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina para o nível de encarregado de negócios. Com essa decisão, o embaixador argentino, Guillermo Daniel Raimondi, foi notificado de que poderá retornar a Buenos Aires, já que o governo brasileiro passará a realizar negociações apenas com o encarregado de negócios argentino em Brasília.
Além de avaliar a reação aos ataques de Milei, a consultoria Zubán Córdoba indagou os argentinos sobre a relevância econômica do Brasil. Para 88,9% dos participantes, o país vizinho e sua economia têm importância significativa para a economia argentina. Outros 10,5% consideram a relação de pouca relevância, enquanto 0,6% não souberam responder.
Realizada entre os dias 8 e 10 de agosto, a pesquisa entrevistou 1.200 indivíduos com 16 anos ou mais em todo o território argentino. A coleta foi realizada online, por meio de um questionário estruturado, e a pesquisa apresenta uma margem de erro de 2,83 pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%.






