Queda capilar: quando o problema é irreversível

Eliminar alguns fios ao escovar os cabelos ou durante o banho é um processo natural. No entanto, quando a perda capilar se intensifica, o volume visivelmente reduz ou começam a surgir falhas no couro cabeludo, é essencial investigar a causa do problema. Diferente do que muitos imaginam, não há uma abordagem única que funcione para todos os casos.

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Na tentativa de reaver os fios rapidamente, é comum recorrer a vitaminas, suplementos ou medicamentos populares nas redes sociais. Contudo, conforme especialistas, o primeiro passo deve ser identificar qual tipo de alopecia está por trás da queda capilar.

“A queda de cabelo pode ter origens muito distintas. Em algumas situações, ela é temporária e se resolve sozinha; em outras, exige tratamento contínuo, e em certos casos, infelizmente, os fios perdidos não podem ser recuperados. Por isso, o diagnóstico médico é fundamental”, destaca a dermatologista Lilian Brasileiro.

A dermatologista Flávia Brasileiro, integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia, ressalta que a chance de restaurar os cabelos está diretamente ligada à preservação dos folículos capilares.

“Quando os folículos permanecem íntegros, é possível estimular novamente o crescimento dos fios. Já nas alopecias fibrosantes, eles são irreversivelmente destruídos, impedindo o nascimento de novos cabelos”, afirma.

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Nem toda calvície é igual

Segundo a Academia Americana de Dermatologia, os quadros de perda capilar são classificados em diferentes categorias, sendo as principais a alopecia androgenética, a alopecia areata e as alopecias cicatriciais.

O tipo mais frequente é a alopecia androgenética, conhecida popularmente como calvície hereditária. Ela está relacionada à predisposição genética e à ação dos hormônios masculinos sobre os folículos.

“O hormônio di-hidrotestosterona provoca uma miniaturização progressiva dos fios. Eles nascem cada vez mais finos até parar de crescer adequadamente”, explica Lilian.

Apesar de afetar homens e mulheres, a manifestação é distinta. Enquanto eles apresentam recuo na linha capilar e perda concentrada no topo da cabeça, elas geralmente sofrem uma redução difusa da densidade dos fios, preservando a linha frontal.

Nesses casos, o tratamento costuma ser contínuo e pode incluir medicamentos orais e tópicos, terapias a laser, infiltrações no couro cabeludo, transplante capilar e protocolos personalizados definidos pelo dermatologista.

Novas tecnologias ampliam as possibilidades

Além das terapias convencionais, procedimentos de última geração vêm ganhando espaço nos consultórios especializados. Entre eles está o Exocube, tecnologia que utiliza componentes obtidos a partir do sangue do próprio paciente para estimular a regeneração dos folículos capilares.

“Esse material é rico em exossomos e pode favorecer o crescimento de novos fios, além de melhorar a densidade capilar”, explica Lilian.

Outro recurso mencionado pela especialista é o Hydrafacial Keravive, protocolo voltado para a saúde do couro cabeludo. “O tratamento realiza uma limpeza profunda, melhora a microcirculação local e cria um ambiente mais saudável para o crescimento dos fios”, diz.

Já a dermatologista Flávia destaca o PRP (Plasma Rico em Plaquetas), técnica que emprega fatores de crescimento extraídos do sangue do próprio paciente. “Com isso, conseguimos estimular os folículos, melhorar a irrigação sanguínea e prolongar a fase de crescimento do cabelo”, afirma.

Quando o próprio organismo ataca os fios

Outro diagnóstico frequente é a alopecia areata, doença de origem autoimune em que o sistema imunológico passa a atacar os folículos capilares.

O resultado costuma aparecer em forma de placas arredondadas sem cabelo. “A boa notícia é que, nesse caso, os folículos continuam vivos. Eles apenas entram em um estado de repouso e podem voltar a produzir fios após o tratamento adequado”, explica Lilian.

As opções terapêuticas incluem corticoides, imunoterapia tópica e medicamentos estimuladores do crescimento capilar.

Há casos em que a perda é definitiva

Mais rara, a alopecia cicatricial exige atenção imediata. Nesse tipo da doença, a inflamação destrói permanentemente os folículos, que são substituídos por tecido cicatricial.

“Quanto mais cedo interrompermos o processo inflamatório, maiores são as chances de preservar os folículos que ainda permanecem ativos”, alerta Lilian.

Entre as possíveis causas estão doenças autoimunes, infecções, traumas, queimaduras, radiação e procedimentos químicos agressivos.

Existe ainda a alopecia cicatricial central centrífuga, mais frequente em mulheres negras, que costuma iniciar no centro do couro cabeludo e evoluir de forma progressiva.

Estresse, pós-parto e doenças também podem provocar queda

Nem toda perda capilar está ligada à calvície. Alterações hormonais, infecções, cirurgias, dietas muito restritivas e até situações de forte estresse podem desencadear o chamado eflúvio telógeno.

“O paciente costuma perceber uma quantidade muito maior de fios na escova, no travesseiro ou durante a lavagem. Normalmente a queda aparece entre dois e seis meses após o fator desencadeante”, explica Lilian.

Embora o quadro frequentemente seja reversível, a médica ressalta que a avaliação especializada continua sendo fundamental.

“Mesmo quando parece algo passageiro, é importante investigar. Deficiências nutricionais, alterações hormonais ou outras doenças podem estar mantendo a queda ativa e precisam ser tratadas”, alerta a médica.

De acordo com as especialistas, a principal mensagem é evitar a automedicação. Cada tipo de alopecia exige uma estratégia específica, e iniciar um tratamento sem diagnóstico pode atrasar a recuperação dos fios e comprometer os resultados.

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