Entre a Revolta e a Legalidade: A Função da Polícia

A atuação policial vai muito além da repressão ao crime. Em um Estado Democrático de Direito, a função da polícia também consiste em impedir que a sociedade seja conduzida pela lógica da vingança e da justiça pelas próprias mãos.

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Diante de crimes que geram intensa comoção social, especialmente aqueles praticados contra crianças, mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade, é natural que surjam sentimentos de revolta e indignação coletiva. Contudo, é justamente nesses cenários de maior tensão emocional que se exige da atividade policial equilíbrio, legalidade e imparcialidade.

A polícia não possui a atribuição de julgar ou aplicar punições conforme o clamor popular. Sua missão constitucional é preservar a ordem pública, proteger a integridade das pessoas e conduzir ao Poder Judiciário os fatos que representam a quebra do pacto social estabelecido pelas leis.

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Ao agir dentro dos limites legais, o policial não está defendendo criminosos, mas protegendo os princípios que sustentam a própria democracia. A contenção da violência, inclusive daquela motivada pela revolta social, é parte essencial da preservação da paz pública.

Permitir que punições ocorram fora das instituições legítimas significa abrir espaço para arbitrariedades, excessos e insegurança coletiva. A diferença entre civilização e barbárie reside justamente na capacidade de uma sociedade confiar em suas instituições, garantindo que a responsabilização ocorra por meio do devido processo legal.

Nesse contexto, entender a atividade policial também significa compreender a complexidade da função exercida diariamente por homens e mulheres que precisam controlar emoções, agir tecnicamente em ambientes hostis e sustentar a legalidade mesmo sob intensa pressão social.

Mais do que combater crimes, a polícia atua para assegurar que a Justiça seja exercida pelo Estado e não pela força das emoções momentâneas.

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Gabriela Pacheco Brandão
A Cabo Gabriela Pacheco Brandão é Bacharel em Direito, com pós-graduações em Ciências Criminais e Direito Aplicado. Possui prática forense reconhecida pelo TJES .Na PMES desde 2014, integrou o GAO e atua na Força Tática desde 2017. É formada em cursos como APH Brasil e CPAAR, com sólida experiência operacional e jurídica.
Bastidores da Farda
Bastidores da Farda
Bastidores da Farda é uma coluna especial que abre espaço para que militares compartilhem suas vivências dentro e fora do serviço. Aqui, o leitor encontra relatos, reflexões e bastidores do cotidiano de quem vive o dever de proteger, mas também carrega medos, sonhos e desafios. A proposta é humanizar a farda, aproximando a sociedade da realidade policial e dando voz a quem, todos os dias, está na linha de frente da segurança pública.

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