FMI reduz previsão de crescimento global em meio a guerra

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo a estimativa de crescimento da economia global para 2026, fixando-a em 3,0%, enquanto projeta 3,4% para 2027. Em contrapartida, a instituição elevou a previsão para o Brasil, movimento atribuído por analistas, em larga medida, ao desempenho do mercado de petróleo. A editora e analista de Economia da CNN, Lucinda Pinto, analisa o tema.

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Conforme Lucinda, o conflito no Oriente Médio e seus reflexos nos preços do petróleo estão no cerne das revisões realizadas pelo FMI, tanto para a economia mundial quanto para a brasileira.

“No fim das contas, o FMI está creditando essas revisões de crescimento para o mundo e para o Brasil ao mesmo fator, que é essencialmente o comportamento do petróleo”, disse.

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Brasil se beneficia do petróleo em alta

Para o Brasil, o FMI aumentou a projeção de crescimento de 1,9% para 2,4% em 2026, com estimativa de 2,2% para 2027. Como o país é exportador líquido de petróleo, o preço médio mais elevado da commodity ao longo do ano tende a favorecer a economia nacional.

Além do petróleo, o fundo menciona uma safra agrícola mais robusta do que o previsto e um consumo mais resistente do que se imaginava inicialmente como elementos que contribuem para esse quadro mais otimista.

Cenário baseado em fatores transitórios

Lucinda Pinto destacou, contudo, que esse otimismo se apoia em bases frágeis.

“O que estamos vendo aqui é que esse panorama um pouco mais positivo do FMI se fundamenta em fatores passageiros. Ele não está indicando uma melhora estrutural da economia; está enxergando elementos que darão um impulso pelo menos no curto prazo”, explicou a analista.

Outro ponto ressaltado é que o FMI não aborda com destaque o impacto da elevação da taxa de juros sobre a economia brasileira.

Enquanto o fundo projeta 2,4% de crescimento para o Brasil, economistas de mercado trabalham com estimativas bem inferiores — projeções em torno de 1,6%, e a pesquisa Focus aponta alta de 1,8% para o próximo ano, justamente devido à Selic mais elevada. “O fundo não enfatiza esse aspecto”, observou Lucinda Pinto.

No âmbito internacional, a analista também apontou que o relatório do FMI relativiza os efeitos das tarifas impostas pelo governo americano. Segundo ela, “não aparecem ali os riscos tão nítidos a respeito do que isso pode acarretar para os países, tanto para a economia americana quanto para as indústrias que sofrem os impactos das tarifas”.

Lucinda Pinto ainda lembrou que, historicamente, o FMI costuma ser mais otimista em suas projeções de crescimento econômico em comparação com as estimativas do mercado.

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