Madden NFL 27 melhora em relação ao antecessor, mas se acomoda

Madden NFL 27 é, sem dúvida, um passo à frente do seu antecessor, mas a evolução vem acompanhada de uma sensação de comodismo que impede a franquia de alcançar um novo patamar. O jogo melhora em diversos aspectos, mas a EA Sports parece confortável em repetir uma fórmula que, embora eficiente, já dá sinais claros de desgaste. A análise do novo título da franquia revela um simulador de futebol americano competente, que refina elementos já conhecidos, mas que peca ao não ousar em áreas que exigiam uma renovação mais profunda.

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Para quem passou anos distante da série — como este redator, cujo último contato foi com o Madden 19 na geração passada —, retornar ao universo do jogo é, no mínimo, um exercício de paciência. Quem cresceu jogando futebol virtual vai sentir um estranhamento inicial ao abrir os menus do Madden NFL 27 pela primeira vez. A interface é repleta de informações, os termos técnicos parecem escritos em código e a imersão total depende da familiaridade com o idioma. É uma barreira que exige dedicação para ser superada.

A comunicação visual como aliada

Se você chegou até aqui movido pela paixão pelo esporte, provavelmente foi atraído pela crescente onda do futebol americano no Brasil, seja acompanhando os jogos de madrugada na televisão, seja pela cobertura midiática que não para de expandir, ou ainda pelo fascínio gerado pela NFL desembarcando em solo nacional em algumas ocasiões.

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E é exatamente essa paixão que impede que o jogo seja abandonado após os primeiros minutos. Mesmo parecendo um labirinto no início, o Madden 27 tem o mérito de recompensar a curiosidade alheia. Ele não entrega tudo de bandeja para o novato ou para quem retorna; ele instiga a vontade de compreender suas engrenagens. A curva de aprendizado se transforma em um desafio gratificante, desde que haja disposição para decifrar suas regras.

É preciso abordar logo o principal problema: a EA Sports continua ignorando o mercado brasileiro — e, na prática, qualquer outro que não fale inglês. Não há suporte a menus, legendas ou narração em português. Para os veteranos, isso é um detalhe menor, mas para o brasileiro que está se aproximando do esporte agora, a falta de localização é uma barreira de entrada que demanda paciência, tempo e, quem sabe, um tradutor aberto ao lado.

Felizmente, o jogo consegue resgatar o novato por meio da sua comunicação visual. No Madden, o futebol americano é dividido em jogadas, funcionando quase como uma versão em turnos de um esporte tradicional, com pausas claras que organizam o raciocínio. A cada investida ofensiva, o gramado se transforma em um tutorial vivo: setas, rotas coloridas e marcações detalhadas indicam para onde cada atleta deve se movimentar. A linha que “vai e volta” para enganar a defesa e a distância exata das dez jardas necessárias para conquistar a nova descida atuam como guias visuais orgânicos. Com o tempo, o jogador deixa de escolher as jogadas aleatoriamente e passa a ler o jogo como um tabuleiro estratégico.

Respeitando o tempo do jogador

Uma observação particular: um dos grandes desafios de quem joga videogame tendo filhos pequenos é encontrar títulos que não exijam atenção absoluta o tempo inteiro. No futebol tradicional, uma partida demanda concentração total — se uma pausa for necessária durante um contra-ataque ou um lance decisivo, a dinâmica se perde e a imersão se quebra. O Madden 27 oferece uma alternativa diferente dentro do universo dos esportes digitais.

Como o futebol americano é um esporte de interrupções naturais, o jogo foi desenhado para ser cadenciado. O jogador termina uma jogada, observa o resultado, planeja a próxima e, se precisar se ausentar por alguns minutos, pausa sem culpa. É um título que não pune quem tem uma rotina atribulada, já que cada jogada é, de certa forma, independente das demais.

Essa estrutura episódica faz do modo Superstar a porta de entrada ideal. Ao controlar apenas o quarterback, por exemplo, o jogador se torna a peça central da partida sem precisar gerenciar o time inteiro simultaneamente. A leitura de jogo, o passe certeiro ou a corrida bem executada são o foco principal. A experiência é cinematográfica, pontuada e perfeitamente gerenciável para quem vive na correria do dia a dia.

O espetáculo dentro e fora de campo

Se a interface representa um obstáculo para quem não domina o inglês, a apresentação audiovisual é a ponte que transporta o jogador para dentro do estádio. A narração em inglês — que infelizmente escancara a defasagem de outros jogos de futebol no Brasil — é um show à parte, especialmente pela construção de drama e narrativa em cada partida.

Entrar em campo perdendo, com o barulho ensurdecedor das arquibancadas, e ouvir os narradores elevando o tom de voz conforme a equipe se aproxima da end zone ou quando um passe longo está prestes a ser arriscado, faz o jogador sentir o peso da responsabilidade. É uma aula de como recriar a grandiosidade de um evento esportivo como a NFL.

Os gráficos da engine Frostbite seguem o alto padrão esperado dos títulos esportivos da EA, rodando sem sobressaltos mesmo com Ray Tracing ativado em uma máquina configurada para 1080p a 60 quadros por segundo. A fidelidade visual dos atletas, as características individuais de movimento e até os gestos dos árbitros compõem um pacote visual refinado, que ganha ainda mais força com a adição do clima dinâmico e do desgaste do gramado — um recurso que funcionou muito bem na Copa do Mundo de futebol e que aqui aparece de maneira igualmente competente.

No quesito jogadores, a nova Persona Engine merece destaque. Cada atleta e técnico da liga possui uma identidade própria que influencia suas reações a derrotas, renovações contratuais, tempo de jogo e decisões da diretoria. As negociações ficaram mais dinâmicas com um sistema de paciência aprimorado, que gera consequências realistas nas tratativas. A integração dessa engine ao restante das mecânicas faz com que o universo da NFL pareça vivo e crie narrativas imprevisíveis temporada após temporada no modo Franquia.

Contudo, apesar da produção de alto nível, o Madden ainda carrega velhos vícios da EA. O criador de personagens é decepcionante: os rostos continuam com aspecto artificial e a personalização de tatuagens é extremamente limitada — um desperdício, considerando o estilo marcante dos atletas da NFL. Além disso, as cenas fora de campo, com diálogos silenciosos acompanhados por uma música ambiente sem graça, quebram completamente a imersão que o restante do jogo constrói com tanto esmero. Dublagem ou texto direto: esse meio-termo sem vida é medíocre para os padrões atuais.

O desafio de comandar uma franquia

Se o modo Superstar é a porta de entrada ideal, o Modo Franquia é onde o Madden 27 revela sua verdadeira essência de simulador. A jornada com o New Orleans Saints começou como uma escolha nostálgica, lembrando o primeiro Super Bowl acompanhado pelo redator. E a transição de ser apenas um quarterback para comandar a equipe como um todo foi um choque de realidade.

Enquanto no Superstar é possível focar apenas na função em campo e ser “carregado” pelo restante do time, na Franquia não há onde se esconder. Uma linha ofensiva mais fraca é rapidamente explorada pela defesa adversária, e o quarterback sofre as consequências no bolso. A curva de aprendizado é bem mais íngreme, e a intuição dá lugar ao entendimento tático coletivo.

O ponto alto do modo Franquia, superando até mesmo o que se vê nos modos carreira do EA FC, é o sistema de negociações. Discutir anos de contrato, ajustar bônus por desempenho, ponderar o salário base e compreender as necessidades do atleta faz o jogador sentir que está lidando com uma pessoa real. Embora a EA insista no silêncio — essas cenas também carecem de voz —, a profundidade das escolhas torna as conversas infinitamente mais realistas do que as reuniões engessadas vistas em outros títulos esportivos.

O peso do Ultimate Team

Para os veteranos do EA FC, o Ultimate Team do Madden 27 vai parecer bastante familiar, talvez até excessivamente familiar. Pacotes, cartas, química de elenco e a busca incansável por melhorias — a estrutura é a mesma.

A novidade fica por conta do sistema de “Evoluções”, que permite aprimorar cartas de forma permanente por meio de desafios. O recurso é pensado para reter o jogador a longo prazo, forçando a conclusão de tarefas específicas para desbloquear novas habilidades. O apelo viciante é inegável, mas para o brasileiro interessado em estratégia e esporte, é o modo que mais exige dedicação financeira ou um grind excessivo.

Um ponto positivo é a liberdade de montagem tática. O jogo permite criar o próprio livro de jogadas dentro ou fora do Modo Franquia, o que é uma bênção para quem gosta de testar esquemas personalizados. Para o estudioso do esporte, o Madden oferece ferramentas profundas para aplicar conhecimento tático próprio — algo que reflete a cultura americana de valorizar o planejamento estratégico acima do talento individual.

Um problema que não pode ser ignorado — e que mancha a experiência geral — é a agressividade da EA com o Ultimate Team. Ao iniciar o jogo, o jogador é bombardeado com banners e pop-ups gigantescos que tentam empurrar o modo como prioridade absoluta, escanteando áreas que antes eram voltadas ao offline e agora parecem integradas ao ecossistema online. Para quem prefere a experiência solitária dos modos Franquia ou Superstar, esse comportamento é invasivo.

O jogo redireciona a atenção do jogador para o UT a todo custo e tenta prendê-lo com ofertas de microtransações — que, infelizmente, aparecem até dentro do modo Superstar, o que beira o patético. É frustrante que um título que exige tanto investimento de tempo e dinheiro ainda precise recorrer a esses artifícios para capturar o usuário, ignorando até a expectativa básica de respeito à última escolha de navegação do jogador no menu inicial.

Integração com o College Football 27

Para quem busca imersão completa, o Madden 27 traz uma integração notável com o EA Sports College Football 27. Quem joga o modo Road to Glory no jogo universitário pode exportar o atleta para o Madden assim que ele se torna elegível para o Draft. O jogo transfere posição, conquistas e até parte da progressão do personagem, criando uma continuidade de carreira que é o sonho de qualquer fã de simuladores esportivos.

Um jogo que se acomoda na mediocridade

O Madden 27 não é um jogo que abraça o jogador nos primeiros minutos. Ele exige dedicação desde o início, tanto para superar a barreira do idioma quanto para compreender a complexidade das regras. Para aqueles que passam boa parte do tempo livre com videogame e têm curiosidade de entender a NFL — o esporte que cresce no Brasil —, o jogo é uma ótima opção, compensando a falta de localização com um design visual que ensina de forma prática.

Para quem tem uma rotina atribulada, o título respeita o ritmo do jogador, permitindo saborear a estratégia em pequenos intervalos de tempo. Quem busca o dinamismo do futebol tradicional pode estranhar o ritmo mais cadenciado, mas quem valoriza um jogo que recompensa a inteligência, o raciocínio tático e a execução precisa encontrará no Madden 27 uma opção interessante.

O jogo ainda precisa curar seus velhos vícios. A insistência em promover o Ultimate Team por meio de uma interface invasiva e cheia de anúncios, somada a um editor de personagens ruim, à ausência de dublagem nas cenas de gestão e a animações de colisão que ainda engasgam — tudo isso impede que o título alcance um patamar superior. É um jogo que representa o espetáculo da NFL com brilho, mas que cansa o usuário nos menus.

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Redação
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Redação representa o esforço colaborativo de toda a equipe de jornalistas e editores dO Capixaba. Por meio de um trabalho integrado e multidisciplinar, contextualizando as informações e acompanhando as novidades do momento com agilidade e rigor.

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