Em 2001, um usuário anônimo publicou em um pequeno fórum online a afirmação de que boa parte da internet já não era produzida por pessoas, mas por robôs. A teoria já fazia sentido naquele período, mas ainda era tratada como conspiração. Cinco anos depois, um relatório da empresa de cibersegurança Thales apontou que os bots foram responsáveis por 53% do tráfego global na web, dado que deixa aquela hipótese bem menos distante.
“Nunca levei a teoria da internet morta tão a sério, mas parece que realmente há muitas contas no Twitter operadas por LLMs.” — Sam Altman, CEO da OpenAI (à Forbes)
A publicação que popularizou a chamada Teoria da Internet Morta surgiu primeiro no Agora Road’s Macintosh Cafe, assinada pelo usuário “IlluminatiPirate”.
O texto afirmava que a atividade humana havia sido progressivamente substituída por conteúdo automatizado por robôs, contas artificiais e algoritmos. Algumas discussões de teor parecido circulavam desde o fim dos anos 2010 no 4chan e no Wizardchan, mas não alcançavam tanta projeção fora dos fóruns.

A teoria reúne diversas vertentes, e a mais extrema defende que a mudança faria parte de uma ação deliberada das empresas e dos governos mundiais para controlar a população.
Apesar do evidente aumento no conteúdo automatizado, não há comprovação de participação empresarial ou governamental nessa empreitada.

A popularização da Inteligência Artificial (IA) generativa alterou a parte mais simples da discussão, porque antes era mais fácil distinguir o conteúdo robótico. Hoje, porém, é possível produzir em poucos segundos comentários, artigos, imagens, vídeos e até perfis inteiros sem participação humana constante.
“É o fim do período em que a maior parte do conteúdo online era escrita por humanos. Do jeito que eu vejo, a internet realmente morreu. Temos algo novo. Ainda chamamos isso de internet, mas ela mudou.” — Jake Renzella, pesquisador de ciência da computação (à ABC)
Os robôs já superaram as pessoas na internet?
No que se refere ao tráfego global na internet, sim, os robôs já superaram a raça humana em volume. O relatório mais recente da Thales indica que 53% das solicitações de 2025 na web partiram de bots. A presença humana, portanto, ficou com 47% do total.
Um ano antes, a divisão era de 51% para máquinas e 49% para pessoas, o que evidencia um crescimento sutil.

Avanço dos bots maliciosos e da IA
A preocupação cresceu ainda mais depois da constatação de que 40% de todo o tráfego foi atribuído a bots considerados maliciosos, proporção consideravelmente maior que em 2024.
A IA também tornou os sistemas mais difíceis de diferenciar dos acessos legítimos, com a Thales registrando um aumento de 12,5 vezes nos ataques de bots impulsionados.
“O desafio já não é identificar bots. É entender o que o bot, agente ou automação está fazendo.” — Tim Chang, vice-presidente global de Segurança de Aplicações da Thales

Por si só, os dados não provam que os usuários estão conversando apenas com robôs, muito menos que exista uma conspiração organizada por trás do fenômeno dos bots. Mesmo assim, o levantamento mostra que a rede de internet global passou por uma mudança significativa, criando desde novas tendências até problemas na web.






