Realizar voltas sem condutor em autódromos já não é algo inédito. No entanto, concluir uma volta no Nürburgring Nordschleife, na Alemanha, sem ninguém ao volante pode representar o início de um novo capítulo para a condução em circuitos.
A Xiaomi anunciou na segunda-feira que o crossover elétrico YU7 GT completou uma volta integralmente autônoma no traçado alemão de aproximadamente 21 km em 10 minutos e 29,483 segundos. Esse tempo não é veloz pelos padrões do Nürburgring — nem mesmo em comparação com as capacidades do próprio YU7 GT —, mas continua sendo uma realização expressiva, ainda que seja curioso observar o elétrico sendo “conduzido” por ninguém.
Veículos autônomos vêm se expandindo especialmente em serviços de mobilidade por aplicativo, entregas e transporte de cargas. Contudo, essa nova volta pode sugerir que a tecnologia sem condutor pode ter aplicações que vão muito além das ruas e rodovias.
A empresa chinesa não é estreante no lendário circuito. Seu fastback elétrico SU7 Ultra já havia estabelecido o recorde de volta entre elétricos antes de ser superado por outro automóvel chinês, o BYD YangWang U9 Xtreme. Porém, enquanto esses modelos conseguem registrar tempos abaixo da marca de 7 minutos, o YU7 GT sem motorista levou consideravelmente mais tempo.
Com quase 1.000 cv gerados por seus sistemas de tração elétrica e aceleração de 0 a 100 km/h em menos de 3,0 segundos, o YU7 GT possui o conjunto mecânico necessário para colocar a maioria dos SUVs em apuros em uma pista. Com um piloto humano, ele registrou 7min34s931, tornando-se o SUV mais veloz no “Ring”, superando os dois recordistas anteriores — o Audi RS Q8 Performance e o Porsche Cayenne Turbo GT — por dois e quatro segundos, respectivamente.
Além disso, parece que o YU7 estava sozinho na pista — não encontrou nenhum outro veículo, ao menos pelo que foi possível observar no vídeo de bordo. Assim, embora seja um feito notável para uma primeira tentativa, teria sido ainda mais impressionante se o tivéssemos visto ultrapassar outros carros de forma autônoma ou ceder passagem a veículos mais rápidos, adaptando-se ao ambiente ao redor. Mas, novamente, foi a primeira vez que um recorde desse tipo foi sequer tentado. É possível que, no futuro, voltas sem condutor evoluam para lidar com cenários mais complexos.
Durante as voltas autônomas, ficou evidente que o carro iniciava as frenagens bem mais cedo do que pilotos humanos profissionais. Ele também evitava as zebras e, de modo geral, se comportava de maneira cautelosa nas curvas. Por isso foi quase três minutos mais lento — o que é uma diferença enorme no mundo das corridas — mesmo em uma pista extremamente longa como a Nordschleife. Ainda assim, a Xiaomi reconheceu que isso é apenas o princípio de algo maior, indicando mais tentativas no futuro, com tempos de volta possivelmente mais rápidos.
“Isso não é o fim, mas um novo começo para alcançar patamares ainda maiores”, afirmou a empresa em uma publicação na rede social Weibo. O que não se sabe é como a Xiaomi preparou essa volta, o que foi necessário para realizá-la e quanto treinamento específico para o circuito o sistema recebeu. Também não está claro o quão autônoma essa volta realmente foi, e se havia um operador remoto controlando o carro à distância. E a ausência desses detalhes, francamente, torna a chamada volta “sem motorista” menos impactante.







