Em um movimento que une pragmatismo econômico e eficiência tática, as Forças de Autodefesa do Japão integraram ao seu arsenal o AirKamuy 150, um drone fabricado majoritariamente em papelão ondulado. Com um custo unitário estimado entre US$ 2.000 e US$ 2.500 (cerca de R$ 9 mil a R$ 12 mil), o equipamento desafia a lógica de armamentos de alta tecnologia e alto custo.
O anúncio oficial foi feito pelo ministro da Defesa japonês, Shinjirō Koizumi, no final de abril de 2026. A estratégia foca na “descartabilidade” e na produção em massa, permitindo que o país escale sua defesa aérea sem depender exclusivamente de complexas cadeias de suprimentos aeroespaciais.
Tecnologia e Desempenho
Apesar de ser construído com o mesmo material de caixas de entrega — com o acréscimo de um revestimento impermeável —, o AirKamuy 150 apresenta números robustos. Ele atinge uma velocidade máxima de 120 km/h, possui autonomia de 80 minutos e um alcance de 80 quilômetros, sendo capaz de carregar até 1,4 kg de carga útil.
Além do custo, o material oferece uma vantagem furtiva inesperada: o papelão reflete menos sinais de radar do que metal ou fibra de carbono, dificultando a detecção por sistemas de defesa inimigos. Outro diferencial é a logística; o drone é entregue em embalagens planas e pode ser montado manualmente em apenas cinco minutos, sem necessidade de ferramentas especiais.
A Estratégia do Volume sobre a Sofisticação
A adoção desta tecnologia desenvolvida pela startup AirKamuy reflete uma lição aprendida em conflitos modernos: a eficácia da saturação. A ideia é inundar o espaço aéreo com drones baratos e eficientes, tornando o custo de interceptação pelo inimigo muito mais caro que o próprio drone.
Para se ter uma ideia da economia, o modelo japonês chega a ser vinte vezes mais barato que o drone iraniano Shahed e quatro vezes mais em conta que o americano Lucas, superando este último inclusive em velocidade final.
“Há uma forte demanda por drones de baixo custo que possam operar em grande número. Este modelo pode ser fabricado em qualquer fábrica de papelão comum, garantindo alta capacidade de produção em massa”, afirmou o CEO da AirKamuy, Yamaguchi Takumi.
Orçamento e o Projeto SHIELD
O Japão destinou cerca de 9 trilhões de ienes (R$ 297 bilhões) ao orçamento de defesa de 2026. Desse montante, 3% são focados exclusivamente em sistemas não tripulados.
O AirKamuy 150 é peça-chave no projeto SHIELD, uma rede de defesa costeira que integra milhares de drones, barcos e veículos submarinos. Atualmente, o modelo já é utilizado como alvo em exercícios da Força de Autodefesa Marítima, mas o governo já avalia sua expansão para missões de reconhecimento e vigilância ativa.






