Atleta de SC acusa homofobia em competição feminina no ES

Uma atleta da UDESC foi alvo de comentários considerados machistas e homofóbicos durante a transmissão dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) Praia 2026, realizados em Guarapari, no Espírito Santo. O incidente, registrado durante a narração de uma partida, gerou notas de repúdio de instituições de ensino, a manifestação de uma deputada estadual de Santa Catarina e levou a Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) a determinar o afastamento imediato de um dos narradores envolvidos.

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De acordo com a nota oficial da CBDU, a entidade tomou ciência dos fatos e determinou o afastamento imediato do suspeito. A empresa responsável pela transmissão também iniciou uma investigação interna e a adoção das medidas cabíveis. A Comissão Disciplinar e o Superior Tribunal de Justiça do Desporto Universitário (STJDU) estão acompanhando o caso. “A CBDU não compactua com manifestações discriminatórias, ofensivas ou incompatíveis com os valores do esporte”, afirma a nota da entidade.

O que aconteceu na transmissão

Os JUBs Praia 2026 tiveram início em 4 de maio, reunindo equipes universitárias de todo o Brasil em Guarapari. Durante a transmissão de um dos jogos da equipe feminina da UDESC, narradores fizeram comentários questionando a participação da atleta na partida. Em um dos trechos que circulam nas redes sociais, é possível ouvir falas como “ó o 10 ali” e “pode menino aí?”, em referência à aparência da jogadora.

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Conforme nota publicada pela equipe de Futsal Feminino da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em apoio à colega catarinense, os narradores apontados como responsáveis pelas falas no segundo dia de transmissão são identificados como Felipe e Fábio Júnior. A própria atleta, em manifestação nas redes sociais, também mencionou os nomes de Hideraldo Gomes e Elói, que, segundo ela, já haviam demonstrado sinais de comentários inadequados no primeiro dia da competição.

A reação das instituições

A UDESC Esportes publicou nota manifestando “o mais firme repúdio” aos fatos, afirmando que os episódios “evidenciam discriminação de gênero contra uma de nossas estudantes-atletas”. A universidade defendeu uma apuração rigorosa e a identificação dos envolvidos. “A alegação de impossibilidade de identificação não é suficiente diante da gravidade do caso”, diz o texto.

A Associação Atlética CEFID, vinculada à UDESC, também publicou uma nota de repúdio. A entidade classificou os comentários como “conduta inaceitável” e se solidarizou diretamente com a atleta. A equipe de Futsal Feminino da UFBA divulgou apoio público à colega catarinense, citando os nomes dos narradores apontados como responsáveis.

“Comentários com teor machista e homofóbico não são ‘brincadeira’, não são ‘opinião’ e muito menos fazem parte de uma boa narração. Isso é desrespeito. É inaceitável. É crime.”

A declaração é da própria atleta, em uma publicação feita em seu perfil no Instagram. Em outro trecho da manifestação, ela cobrou postura profissional dos responsáveis pela narração: “Quem está no microfone tem responsabilidade. Tem gente ouvindo, tem atleta se dedicando, tem um ambiente que deveria ser de incentivo e valorização. Não de julgamento raso, constrangimento e discriminação.”

Repercussão política

A deputada estadual Luciane Carminatti também se manifestou sobre o caso. Em publicação nas redes sociais, classificou os comentários como ataques “machistas, misóginos e homofóbicos” e cobrou uma ação da CBDU. “Isso não é piada, é crime. E é o ponto de partida para violências ainda mais graves”, escreveu a deputada, que solicitou medidas de responsabilização para os narradores envolvidos.

O que se sabe sobre a apuração

Até o momento, a CBDU informou apenas que determinou o afastamento imediato de um dos suspeitos e que a empresa de transmissão iniciou uma investigação interna. Não há, até a publicação desta reportagem, divulgação oficial sobre eventuais punições disciplinares aplicadas aos demais narradores mencionados nas manifestações públicas. Também não há posicionamento público dos profissionais apontados como responsáveis pelas falas.

O caso segue sob acompanhamento da Comissão Disciplinar e do STJDU.

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