As ações de prevenção ao suicídio promovidas ao longo de setembro passaram a incorporar, nos últimos anos, reflexões sobre a saúde mental de pessoas com deficiência. O assunto ganha relevância em um período que também concentra o Setembro Verde, movimento dedicado à inclusão desse público, cujo ponto alto ocorre em 21 de setembro, quando se celebra o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 14 milhões de brasileiros apresentam algum tipo de deficiência, número equivalente a 7,3% da população com dois anos ou mais. Pesquisas citadas por organizações ligadas ao tema mostram que somente uma em cada quatro pessoas nessa condição conclui o ensino básico, enquanto a taxa de inserção no mercado de trabalho formal permanece inferior à de outros segmentos populacionais.
Estudos referenciados por instituições de saúde indicam que pessoas com deficiência apresentam maior propensão ao suicídio e a outros quadros psiquiátricos quando comparadas à população em geral. Um levantamento do Ministério da Saúde, realizado por meio do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), identificou a presença de deficiência ou transtorno de natureza física, intelectual, visual, auditiva, mental ou comportamental em quase metade das notificações de tentativas de suicídio analisadas em 2016.
Organizações que atuam na defesa dos direitos das pessoas com deficiência relacionam o sofrimento psíquico a fatores como a ausência de acessibilidade em espaços públicos e privados, as barreiras para obter atendimento especializado em saúde e os obstáculos enfrentados no ambiente profissional.
Instituído em 2014, o Setembro Amarelo é uma iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria em conjunto com o Conselho Federal de Medicina. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece suporte emocional gratuito e confidencial pelo telefone 188, além de canais de atendimento por chat e e-mail, disponíveis 24 horas por dia em todo o país.







