O início do inverno no Espírito Santo provoca transformações significativas na rotina e na saúde das famílias capixabas. Quando as temperaturas caem, as janelas das casas ficam fechadas por mais tempo, os cômodos tornam-se menos arejados e o ar gelado acelera a propagação de vírus respiratórios. Para aqueles que lidam com a asma, uma das enfermidades respiratórias crônicas mais frequentes no Brasil, as variações climáticas no estado capixaba indicam uma época de alto perigo para o agravamento intenso dos sinais.
Não é coincidência que o Dia Nacional de Controle da Asma, celebrado em 21 de junho, esteja alinhado com o momento em que a estação mais fria do ano se instala no Estado. Essa data tem o propósito de alertar a população sobre uma condição inflamatória que atinge crianças e adultos, e que, sem o manejo apropriado, prejudica a qualidade de vida e aumenta as visitas aos pronto-socorros dos hospitais capixabas.
Por que o inverno eleva o risco de doenças respiratórias?
De acordo com a pneumologista e especialista em medicina do sono Jéssica Polese, a estação reúne uma combinação de fatores climáticos que atuam como gatilho para o surgimento de crises. Além do ar mais gelado e seco característico do inverno, as pessoas tendem a ficar aglomeradas por mais tempo em ambientes fechados, intensificando a exposição a vírus, poeira, ácaros e outros alérgenos que podem irritar as vias respiratórias.
“A asma é uma patologia inflamatória crônica das vias aéreas. Frequentemente, o paciente atravessa períodos sem sintomas e pensa que está curado, mas a inflamação persiste. No inverno, certos gatilhos se tornam mais comuns, o que pode propiciar o surgimento de crises, sobretudo quando não há o monitoramento médico apropriado”, destaca a médica capixaba.
Sintomas da asma: o risco de banalizar o desconforto no frio
A pneumologista alerta que as pessoas não devem associar toda piora respiratória apenas ao “resfriado comum” do inverno. Tosse contínua, chiado no peito, aperto no tórax, falta de ar e cansaço atípico durante atividades físicas leves são indícios de alerta que demandam avaliação diagnóstica.
“Muitas pessoas acabam banalizando os sintomas respiratórios porque pensam que são efeitos naturais do clima frio. Quando esses indícios se tornam frequentes ou passam a atrapalhar as atividades cotidianas, é essencial buscar uma consulta médica para apurar a verdadeira causa e estabelecer o tratamento preventivo correto”, afirma a pneumologista Jéssica Polese.
Como prevenir a crise de asma e proteger a saúde no ES
Para encarar o inverno de forma segura, as orientações incluem deixar os cômodos da casa ventilados, diminuir o acúmulo de poeira e objetos que favorecem ácaros, manter a hidratação em dia e atualizar o calendário de vacinação contra a gripe e outras infecções respiratórias. O gerenciamento eficaz da doença também passa pelo uso correto dos remédios prescritos, como as bombinhas de manutenção, e pelas consultas periódicas.
Por último, a médica destaca a importância da qualidade do sono, um aspecto muitas vezes ignorado na saúde pulmonar. O repouso inadequado desequilibra o sistema imunológico e intensifica os processos inflamatórios do corpo. “O sono apropriado colabora para o equilíbrio imunológico e para a recuperação do organismo. Quando ele está prejudicado, o corpo se torna mais suscetível a infecções que acabam afetando diretamente a saúde respiratória”, finaliza Jéssica Polese.







