Cursar uma disciplina em uma universidade de outro país costuma ser associado a passaporte, voo, acomodação e um período prolongado distante de casa.
Com a mobilidade acadêmica virtual, no entanto, esse cenário ganhou uma alternativa.
Nessa modalidade, o aluno segue com a graduação no Brasil e, paralelamente, pode participar de disciplinas ou cursos ministrados remotamente por instituições estrangeiras. A vivência proporciona contato com docentes, colegas, materiais, idiomas e modelos de organização acadêmica de outros países, sem exigir uma temporada fora do país.
Na Fundação Santo André, essa oportunidade integra o conjunto de ações de Mobilidade Acadêmica Internacional, incluindo o eMOVIES, programa de intercâmbio acadêmico virtual que reúne instituições de Ensino Superior das Américas. A Assessoria de Relações Internacionais da FSA acompanha as oportunidades e os trâmites das modalidades presenciais e remotas de internacionalização.
Resposta rápida: o que é mobilidade acadêmica virtual?
Em linhas gerais, a mobilidade acadêmica virtual consiste em cursar disciplinas ou atividades acadêmicas oferecidas por uma instituição estrangeira por meio de ambientes digitais.
O estudante não precisa abandonar a graduação nem se deslocar para outro país. A depender do programa e da instituição selecionada, é possível assistir a aulas, desenvolver trabalhos, engajar em debates com alunos internacionais e realizar avaliações de forma remota.
Na FSA, essa modalidade possibilita que os estudantes participem de disciplinas e cursos on-line em paralelo à formação na instituição. Pelo eMOVIES, os aprovados ficam dispensados do pagamento das taxas acadêmicas da universidade estrangeira, desde que preservem o vínculo com a FSA.
Mobilidade virtual é a mesma coisa que intercâmbio presencial?
As duas vivências integram a internacionalização acadêmica, porém operam de formas distintas.
No intercâmbio presencial, o aluno se dirige a outro país e permanece por um período estudando fisicamente na instituição de destino.
Já na mobilidade virtual, o contato internacional ocorre pelas atividades acadêmicas on-line. O estudante continua no Brasil, mantendo a rotina na instituição de origem enquanto participa da experiência ofertada pela universidade estrangeira.
Isso elimina custos diretamente associados a viagem e moradia, além de favorecer a participação de quem, por diferentes motivos, não teria condições de passar alguns meses fora do país. Na FSA, a página de Mobilidade Acadêmica reúne oportunidades internacionais remotas e presenciais.
Uma modalidade não precisa ser encarada como substituta da outra, já que oferecem experiências distintas.
Como funciona uma disciplina em uma universidade estrangeira?
O formato depende da instituição e da disciplina selecionada.
As aulas podem ser síncronas ou contar com atividades assíncronas. O participante talvez precise acessar uma nova plataforma acadêmica, acompanhar conteúdos em outro idioma, realizar tarefas individuais ou em grupo e cumprir as avaliações estabelecidas pelo docente da instituição anfitriã.
Após a aprovação no processo de mobilidade, a universidade de destino orienta o aluno sobre a plataforma utilizada, regras, horários, atividades e demais procedimentos acadêmicos.
Ou seja, a mobilidade também demanda capacidade de adaptação.
O estudante deixa de lidar somente com os processos já conhecidos de sua faculdade e passa a descobrir outra forma de estruturar uma disciplina.
É preciso saber outro idioma?
Isso varia de acordo com a disciplina e a instituição escolhida.
Na FSA, um dos critérios do eMOVIES é apresentar suficiência ou proficiência no idioma quando a instituição ofertante exigir.
Ainda que não haja certificação formal obrigatória, participar de aulas em espanhol, inglês ou outro idioma pode aproximar o estudante de um vocabulário acadêmico e profissional diferente do usado no dia a dia.
Não é preciso enxergar isso apenas como um obstáculo. O contato com o idioma em uma área que o aluno já domina também contribui para a compreensão de termos técnicos e de formas de comunicação empregadas internacionalmente.
O que o estudante pode aprender além do conteúdo da disciplina?
Uma vivência internacional pode oferecer um novo olhar sobre um tema já estudado no Brasil.
Isso ocorre porque professores e alunos de distintos países trazem para a sala de aula referências acadêmicas, culturais e sociais próprias de seus contextos.
Uma disciplina de Psicologia, por exemplo, pode abordar comportamento e saúde mental considerando realidades sociais diversas. Uma matéria de Administração pode expor outros cenários econômicos. Direito, Arquitetura, Engenharia, Educação e demais áreas igualmente podem ser explorados a partir de legislações, cidades, tecnologias ou questões específicas de cada país.
O estudante segue aprendendo o conteúdo acadêmico, mas percebe que uma mesma área profissional não é necessariamente estudada ou aplicada da mesma forma em todos os lugares.
Como é a experiência na prática? Estudantes da FSA contam
Os depoimentos de estudantes que já participaram do programa ajudam a tornar essa vivência mais concreta.
A estudante de Psicologia Iris Tavares Fernandes cursou a disciplina Psicología Evolutiva: Niñez y Adolescencia pelo eMOVIES. Durante as aulas, teve contato com alunos e professores de diferentes países.
Ela ressalta especialmente a chance de observar o desenvolvimento humano a partir de outros contextos culturais:
“Tive a oportunidade de participar de aulas online com estudantes e professores de diferentes países, discussões sobre o desenvolvimento infantil e adolescente sob diferentes perspectivas culturais e atividades colaborativas internacionais.”
Para Iris, a vivência também trouxe situações que demandaram adaptação, como acompanhar outro idioma, entender a dinâmica acadêmica de outra instituição e lidar com novas plataformas digitais.
Esses aspectos compõem uma característica marcante da mobilidade: estudar remotamente não significa simplesmente repetir a rotina que o aluno já vive em sua instituição de origem.
A estudante Adriana Rodrigues da Rocha Dal Degran, também de Psicologia, teve outra experiência na Universidad Continental, no Peru, onde cursou Psicopatologia.
No depoimento, ela destaca um ganho diretamente ligado à própria formação:
“Essa experiência me proporcionou maior aprofundamento nos conhecimentos em psicopatologia, desenvolvimento do pensamento crítico, ampliação da escuta clínica e maior sensibilidade para compreender diferentes contextos culturais.”
Adriana também precisou lidar com questões bem práticas da participação em uma universidade estrangeira:
“Apesar da distância física, vivi desafios importantes, como a adaptação ao formato virtual e fuso horário, o uso de plataformas digitais e a comunicação intercultural.”
Os relatos completos estão disponíveis na página de Mobilidade Acadêmica da FSA, que reúne ainda outras experiências de estudantes e docentes que participaram de programas internacionais.
O fuso horário pode fazer diferença?
Pode sim.
Uma aula ao vivo normalmente segue o horário definido pela instituição ofertante. Dependendo do país, isso pode significar acompanhar uma atividade em um horário distinto do que o estudante está habituado.
Adriana cita justamente a adaptação ao fuso horário porque sua disciplina na Universidad Continental acontecia em tempo real.
Esse é um bom motivo para analisar as informações da disciplina antes de se candidatar.
Além do conteúdo, vale conferir horários, idioma, calendário e formato das atividades para verificar se a oportunidade é compatível com a rotina do semestre.
Mobilidade virtual desenvolve autonomia?
Ela pode criar boas oportunidades para exercitá-la.
Imagine acompanhar as comunicações de uma instituição estrangeira, aprender a operar outra plataforma, coordenar atividades com alunos de diferentes países e cumprir o cronograma de uma disciplina em paralelo às matérias da graduação.
Não é preciso fazer tudo sozinho, porém o estudante passa a ser responsável por seguir orientações que podem ser diferentes das usuais.
No eMOVIES da FSA, a Assessoria de Relações Internacionais dá suporte à comunidade nas etapas dos processos seletivos. Após a aprovação, a universidade de destino assume as orientações específicas sobre o funcionamento da disciplina escolhida.
Essa combinação de apoio institucional e responsabilidade individual também aparece nos depoimentos dos participantes.
Dá para fazer amigos e conhecer pessoas mesmo sendo online?
Cada turma tem uma dinâmica própria, mas a modalidade pode proporcionar situações de convívio entre alunos de diversos países.
Trabalhos em equipe, debates durante as aulas e atividades coletivas estão entre os espaços em que isso pode ocorrer.
A página de Mobilidade Acadêmica da FSA traz, por exemplo, o depoimento da Profa. Sueli Cominetti Corrêa, do curso de Psicologia, que cursou uma disciplina na Universidad Continental e participou de grupos com pessoas da Argentina, México, Colômbia e outros países.
No ambiente virtual, a vivência intercultural ocorre de forma diferente daquela de quem passa meses morando fora, mas o contato entre estudantes segue sendo parte essencial da proposta.
O que é o eMOVIES?
O eMOVIES, Espaço de Mobilidade Virtual no Ensino Superior, é um programa de intercâmbio acadêmico virtual criado pela Organização Universitária Interamericana (OUI).
Sua finalidade é fomentar a cooperação acadêmica internacional virtual e estimular a mobilidade de estudantes, docentes e profissionais técnico-administrativos de instituições de Ensino Superior das Américas.
A Fundação Santo André integra o programa e divulga periodicamente as oportunidades disponíveis.
Quem pode participar do eMOVIES pela FSA?
Os critérios devem ser sempre verificados no edital vigente, uma vez que os processos seletivos podem ser alterados.
Atualmente, a página da Mobilidade Acadêmica indica entre os requisitos para estudantes:
- Estar regularmente matriculado na FSA
- Estar cursando ou já ter cursado o terceiro semestre da graduação
- Ter índice acadêmico igual ou superior a 60
- Não estar submetido a sanções acadêmicas ou disciplinares no momento da candidatura
- Apresentar suficiência ou proficiência linguística quando a instituição de destino exigir
O estudante também deve observar os requisitos específicos da disciplina ou da universidade escolhida.
A candidatura inicial não garante aprovação automática pela instituição estrangeira. A universidade de destino também avalia os candidatos e é responsável pelo aceite definitivo.
Existe algum custo?
Na modalidade virtual do eMOVIES, o estudante da FSA fica isento das taxas acadêmicas cobradas pela instituição estrangeira participante, desde que mantenha o vínculo com a Fundação Santo André.
Como a experiência é on-line, também não há os gastos típicos de uma mobilidade presencial, como passagem aérea e hospedagem.
Isso não quer dizer que toda modalidade de internacionalização oferecida pela FSA tenha necessariamente as mesmas condições. Por isso, é essencial consultar as regras da oportunidade específica antes da candidatura.
A disciplina cursada gera algum comprovante?
Ao concluir as atividades e avaliações previstas e ser aprovado, o estudante recebe da instituição de destino um certificado ou documento que comprova a conclusão da disciplina. Esse documento deve ser enviado à Assessoria de Relações Internacionais da FSA para que a mobilidade realizada seja registrada.
O registro também auxilia o aluno a documentar uma experiência acadêmica internacional em seu histórico de formação.
Isso pode ajudar no currículo?
Uma experiência internacional pode entrar no currículo por registrar uma atividade acadêmica realizada em outra instituição.
Mas o benefício não se limita a acrescentar uma linha ao documento.
O que faz diferença é saber explicar o que foi feito: qual disciplina foi cursada, quais conteúdos foram estudados, em que idioma as atividades ocorreram, como eram os trabalhos e com quais contextos acadêmicos houve contato.
Essa lógica é semelhante à abordada no artigo sobre LinkedIn para estudantes: mesmo quem ainda não tem experiência profissional pode começar a construir repertório por meio das atividades desenvolvidas na graduação.
Mobilidade acadêmica virtual é útil apenas para quem pretende trabalhar fora do Brasil?
Não.
Conhecer outros contextos pode ser proveitoso inclusive para quem pretende construir toda a carreira profissional no Brasil.
Empresas, universidades, pesquisas, tecnologias e questões sociais circulam internacionalmente. Além disso, as profissões são influenciadas por saberes produzidos em diferentes países.
O contato com outras perspectivas também ajuda a perceber particularidades do próprio contexto brasileiro.
Na Psicologia, por exemplo, os relatos de Iris e Adriana mostram como temas ligados ao desenvolvimento humano e à saúde mental puderam ser observados a partir de outros contextos culturais.
Essa capacidade de comparar e contextualizar conhecimentos pode ser aproveitada independentemente do local onde a pessoa decidir trabalhar após a graduação.
E se houver receio de não conseguir acompanhar?
Certo receio diante de uma experiência nova é natural, sobretudo quando ela envolve outro idioma, professores desconhecidos e uma universidade com procedimentos diversos.
Por isso, o caminho mais indicado é avaliar a oportunidade de forma concreta.
Verifique em qual idioma a disciplina será ministrada, confira os horários, leia a descrição do conteúdo, procure entender como serão as aulas e as atividades e avalie se a rotina do semestre permite assumir esse compromisso.
Os depoimentos dos estudantes da FSA também evidenciam que as dificuldades existem. Fuso horário, plataformas, idioma e comunicação intercultural aparecem de forma explícita nas experiências de quem participou.
Ao mesmo tempo, são justamente algumas dessas situações que levaram os participantes a desenvolver mais organização, autonomia e contato com outras perspectivas acadêmicas.
A internacionalização também pode acontecer sem sair do campus
Encarar a internacionalização somente como uma viagem pode fazer com que muitos estudantes nem considerem essa possibilidade durante a graduação.
Atualmente, as universidades atuam com diferentes formatos de cooperação: disciplinas virtuais, aulas compartilhadas, projetos acadêmicos, eventos internacionais, intercâmbios presenciais e convênios entre instituições.
Na FSA, a Assessoria de Relações Internacionais reúne oportunidades presenciais e virtuais e acompanha os processos de mobilidade acadêmica. A instituição ainda mantém outras ações de internacionalização além do eMOVIES.
Essa é uma distinção relevante para quem está pesquisando faculdades: internacionalização não precisa ser entendida apenas como a existência de um programa de intercâmbio tradicional.
Vale observar quais oportunidades chegam efetivamente aos estudantes e de que formas eles conseguem participar delas.
Ao escolher uma faculdade, também observe as experiências que podem acompanhar a graduação
Grade curricular, infraestrutura e corpo docente estão entre os critérios essenciais na escolha de uma instituição.
Também é interessante descobrir o que existe além das disciplinas regulares.
Programas de mobilidade acadêmica, iniciação científica, extensão, monitoria, semanas acadêmicas, atividades complementares e projetos permitem que o estudante conheça pessoas, temas e ambientes diversos durante a formação.
A mobilidade virtual soma a essa lista uma possibilidade específica: estudar uma área escolhida a partir da perspectiva de outra universidade e de outro contexto cultural, sem interromper a graduação no Brasil.
Os relatos de Iris e Adriana mostram duas experiências concretas desse processo. Elas estudaram Psicologia em uma universidade estrangeira, enfrentaram diferenças de idioma, plataformas, horários e formas de aprendizagem e encontraram nesses elementos novas maneiras de observar conteúdos que já faziam parte da formação.
Para quem está escolhendo onde estudar, vale conhecer os cursos de graduação da Fundação Santo André, assim como as experiências acadêmicas que podem acompanhar a formação ao longo dos semestres.







