Como o café pode ajudar a combater a dengue e beneficiar o meio ambiente

O café sempre foi parte integrante do cotidiano brasileiro, mas agora ele também pode ser um aliado no combate à dengue, uma ameaça significativa à saúde pública. Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), em parceria com o Consórcio Pesquisa Café e coordenação da Embrapa Café, revelou que grãos de café de qualidade inferior podem ser transformados em um larvicida natural eficaz, eliminando quase todas as larvas do mosquito Aedes aegypti.

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A iniciativa combina sustentabilidade e inovação ao reutilizar resíduos agrícolas como um ativo importante contra essa doença que afeta milhões de pessoas todo ano. Denominada “Solução Inovadora 5”, a fórmula utiliza extratos de café verde e torrado com compostos bioativos que atacam as larvas do mosquito em estágios resistentes.

O processo larvicida do café

Os extratos foram obtidos por meio da técnica de refluxo sólido-líquido com metanol, que extrai moléculas com elevado potencial biológico. Entre os compostos encontrados, estão a cafeína, ácido cafeico e ácido clorogênico, conhecidos por suas propriedades antioxidantes, mas agora se destacam no controle de vetores.

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Um destaque especial foi a presença exclusiva de catequina nos extratos de café torrado, que pode ser crucial na eficácia do larvicida. A coordenadora da pesquisa, professora Joziana Muniz de Paiva Barçante, observa que a torrefação altera a estrutura química dos grãos, aumentando a ação larvicida quando associados a emulsificantes como o Tween 80®.

A fórmula mais eficaz, chamada CTT, utilizou extrato de café torrado junto com emulsificante, conseguindo 99,2% de mortalidade das larvas de Aedes aegypti em até 72 horas. Os testes foram realizados em larvas de um estágio difícil, aumentando ainda mais a relevância dos resultados.

Sustentabilidade e saúde pública

O estudo também lança uma nova luz sobre os resíduos da cafeicultura, um setor de destaque no Brasil que tradicionalmente descarta subprodutos como borras e grãos fora do padrão de comercialização. “Transformar um subproduto de baixo valor em uma solução inovadora e sustentável demonstra um compromisso com a economia circular”, explica a professora Joziana.

O impacto ambiental é um grande benefício, conforme destaca o engenheiro agrônomo e pesquisador Carlos Henrique Nunes da Silva da Embrapa Café. Alternativas como esta diminuem a dependência de inseticidas químicos, que frequentemente causam resistência nos vetores e danos ao ecossistema. Segundo ele, “é uma oportunidade real de reduzir o uso de produtos tóxicos no ambiente urbano, enquanto se valoriza a cadeia do café e se gera impacto positivo na saúde pública”.

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Redação
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Daniel Bones

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