O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, manifestou incômodo com as críticas feitas à sua campanha por integrantes da centro-direita. Durante transmissão ao vivo em seu canal no YouTube, nesta 5ª feira (20.ago.2026), o senador afirmou estar “sozinho” na disputa e disse que esperava que políticos desse espectro concentrassem os ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário no pleito de outubro.
“Isso me deixa um pouquinho chateado, mas também bola para frente, porque eu esperava que as pessoas que estão, que se dizem de centro-direita, fossem atacando o Lula. E é todo dia atacando o Flávio Bolsonaro”, declarou. Em seguida, afirmou contar com o apoio dos eleitores e de Deus.
A reclamação ocorreu ao comentar o cenário eleitoral e a atuação de nomes do campo político que Flávio tenta reunir em torno de sua candidatura.
Apesar da queixa, o senador citou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em tom elogioso. Disse ter conversado com ele durante compromisso na zona leste da capital paulista e afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está “com muito orgulho” do governador.
Flávio também usou a live para atacar Lula pelas investigações contra Lulinha, alvo de 3 inquéritos no Supremo Tribunal Federal por suspeitas de tráfico de influência. A Polícia Federal apontou o filho do presidente como beneficiário indireto da atuação da empresária Roberta Luchsinger. Lulinha nega irregularidades e acionou a Justiça contra um vídeo de Flávio que o associa a desvios no INSS. Lula diz acreditar na inocência do filho, mas afirma que ele deverá responder caso seja comprovado crime.
Na economia, Flávio criticou os juros reais do Brasil e relacionou o fechamento de lojas das Casas Bahia ao ambiente de negócios. Na segurança, ele e Guilherme Derrite (PP) defenderam penas maiores para roubo de celular e elogiaram a política de Nayib Bukele em El Salvador. Derrite também defendeu reduzir a maioridade penal para 16 anos e, em crimes hediondos, para 14.
“O seu número é 111, né? Tem alguma coisa a ver com o Carandiru?”, perguntou Flávio a Derrite, que negou a relação. Ocorrido em 1992, o massacre do Carandiru deixou 111 mortos.
Dificuldade de unificar a centro-direita
A declaração expõe a dificuldade de Flávio em unificar a centro-direita em torno de sua candidatura. Durante a live, o candidato também reclamou da pulverização de candidaturas ao Senado dentro da direita. Disse que em Estados como São Paulo, Paraná e Distrito Federal há mais de 2 nomes identificados com esse campo e pediu aos eleitores que concentrem os votos nos candidatos apoiados por ele.
Em São Paulo, Flávio declarou apoio a Guilherme Derrite e André do Prado (PL). No Paraná, indicou Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL). No Distrito Federal, pediu votos para Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL). Segundo o filho de Jair Bolsonaro, a divisão pode beneficiar adversários de esquerda e reduzir uma eventual base de apoio de seu governo no Congresso.
Flávio afirmou que precisará de uma bancada numerosa de senadores e deputados caso seja eleito. A composição do Congresso, disse, será necessária para aprovar propostas de seu plano de governo, entre elas a redução da maioridade penal. Na live, defendeu baixar a idade para responsabilização criminal a 16 anos em qualquer crime e a 14 anos em casos de crimes hediondos ou equiparados.







