As potencialidades e os entraves para o desenvolvimento turístico da Região dos Vales e Café, localizada no sul do Espírito Santo, foram debatidos na Comissão de Turismo e Desporto da Assembleia Legislativa (Ales). O tema foi exposto pelo advogado Jussan Silva e Silva, assessor de projetos da Instância de Governança Regional (IGR) do Turismo da Região Sul Capixaba dos Vales e Café.
A região abrange os municípios de Apiacá, Atílio Vivacqua, Cachoeiro de Itapemirim, Mimoso do Sul e Muqui. Embora exista produção de café orgânico, especialmente em Muqui, Jussan entende que a agricultura local já está consolidada e destaca o turismo cultural como uma vocação promissora. “É um ativo econômico relevante para a nossa região. A IGR faz a articulação de projetos entre a iniciativa privada e o poder público”, afirmou.
Atrativos
O advogado listou as características culturais dos municípios que compõem a Região Turística dos Vales, cada um com atrativos capazes de movimentar a economia em torno desse segmento. Em Muqui, ele destacou um dos maiores sítios históricos tombados do Espírito Santo, de arquitetura eclética, que sedia o Encontro Nacional de Folia de Reis e o Carnaval Folclórico dos Bois Pintadinhos, eventos que atraem grandes públicos.
“Em Mimoso do Sul, temos o sítio histórico tombado de São Pedro de Itabapoana, com um evento tradicional de sanfona e viola. Apiacá é um município importante, com integração com Portugal através da Casa de Açores. Atílio Vivacqua possui forte turismo de aventura, com a Pedra das Caveiras, que em breve será aberta ao público. E Cachoeiro de Itapemirim é o centro cultural da região, terra de Roberto Carlos, com atividades de diversos artistas de alcance nacional”, detalhou.
Desafios
Jussan salientou que, para ser reconhecido como atividade econômica, o turismo ainda demanda investimentos. “Apenas Cachoeiro de Itapemirim conta com uma Subsecretaria de Turismo, o que indica que há uma pauta e propósito econômico definidos.” O município também possui um Fundo de Turismo consolidado. Das outras quatro cidades, somente o Fundo de Atílio Vivacqua está em fase de implantação.
Outros obstáculos apontados pelo assessor da IGR incluem a falta de integração rodoviária entre os destinos, dificultando deslocamentos de curta distância. Ele também mencionou que os eventos realizados nas cidades não conseguem prolongar a permanência dos turistas. No entanto, a desvalorização interna do capital turístico capixaba é, segundo ele, um problema ainda mais abrangente. “Acreditamos na vocação turística do estado por meio da cultura, da educação e do sentimento que pode ser gerado dentro de cada capixaba. Percebemos, no dia a dia, que muitos não valorizam sua história, sua cultura, seus lugares. Ouvimos frases como ‘aqui não tem nada, o interior não tem nada’. Por isso é importante reforçar que o estado tem 78 municípios, a maioria pequenos. O turismo rural e o cultural na zona rural são realidades no nosso território.”
Para superar esses desafios, o advogado aposta em ações de sensibilização promovidas pelo Convention Bureau, enquanto sociedade civil organizada. “Fazemos divulgação em redes sociais, promovendo belezas naturais e culturais, e realizamos oficinas de sensibilização nas escolas. A educação patrimonial é algo que precisamos cultivar cada vez mais para formar gerações que valorizem a cultura”, completou.
Turismo e IA
Diante de outro gargalo apresentado – a dispersão da informação turística –, a advogada Carolina Monteiro Soares, que atua na área de turismo com uso de inteligência artificial (IA) e também participou da reunião, acredita que a informação pode ser melhor trabalhada, organizada e disponibilizada ao turista de forma contínua. “O problema que percebemos hoje no estado é a fragmentação das atividades turísticas. Não há concentração de informações para fomentar e atrair investimentos. Com o uso da IA, queremos unificar rotas, facilidades e recursos, mapear deficiências e, principalmente, educar as localidades. É preciso divulgar de maneira mais orgânica, em vários idiomas, criando rotas e promovendo o turismo de forma constante, independentemente de partidos ou eleições”, observou Carolina.
Apoio do poder público
O presidente da comissão, deputado Coronel Welinton (DC), avaliou que o diagnóstico da região revela municípios com cultura rica, cuja história se confunde com a colonização do Espírito Santo. “O poder público precisa estar presente, fazendo os investimentos necessários, consolidando rotas e cada ação prioritária, para resgatar o turismo como fonte limpa de geração de emprego, renda e desenvolvimento social. Além de consolidar o turismo como vetor de visitação, é preciso gerar oportunidades para outras atividades comerciais, como restaurantes, pousadas, artesanato e eventos”, concluiu.







