Pesquisas para governador: direita e centro podem avançar; esquerda pode perder

Faltando menos de quatro meses para as eleições estaduais, as pesquisas de intenção de voto apontam um cenário favorável à direita e ao centro na maior parte do Brasil, embora ainda persistam indefinições em algumas candidaturas.

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Levantamento realizado por O POVO com base nos dados divulgados em cada unidade da federação indica que candidatos desses campos políticos lideram em mais de dois terços dos estados, enquanto a esquerda enfrenta obstáculos para manter o controle de parte expressiva dos Executivos estaduais atualmente sob sua gestão.

Atualmente, mais de dois terços dos estados brasileiros já são governados por partidos de centro-direita e direita. Os números das pesquisas sugerem que essa configuração pode não apenas ser mantida, mas também ampliada após a votação de outubro.

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Entre os 26 estados e o Distrito Federal, candidaturas ligadas à direita estão à frente em pelo menos nove: Alagoas, Amazonas, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.

Nomes de partidos de centro ou centro-direita lideram em outros nove: Acre, Amapá, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Tocantins.

A esquerda figura na dianteira em apenas dois estados: Piauí e Rio Grande do Norte.

Em sete, o quadro é de empate técnico: Bahia, Distrito Federal, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Sergipe.

Foram consideradas as pesquisas dos institutos com maior precisão nas três últimas eleições presidenciais — 2014, 2018 e 2022 —, conforme critério estabelecido por O POVO em 9 de março. São eles: AtlasIntel, Datafolha, Ideia, MDA, Quaest e RealTime Big Data. Não são incluídos levantamentos contratados pelos próprios institutos.

Conforme informado na mesma ocasião, nos estados onde não houve nenhuma pesquisa dos institutos listados para publicação ou essas pesquisas foram contratadas pelos próprios institutos, foram adotados os levantamentos mais recentes e confiáveis de outros institutos ou contratados pelas próprias empresas.

O cenário revela dificuldades para grupos atualmente no poder. Apenas sete estados apresentam hoje liderança de candidatos ligados aos governos estaduais. Em outros sete, as disputas permanecem equilibradas dentro da margem de erro ou em situação de indefinição. Já em 13 unidades da federação, nomes de oposição aparecem à frente dos adversários.

Os dados indicam uma tendência de fortalecimento das forças oposicionistas e de continuidade do movimento de avanço da direita observado nas eleições de 2022. Embora as alianças partidárias ainda estejam em formação e as convenções possam alterar o atual quadro, o retrato das pesquisas sinaliza um mapa político estadual mais inclinado à direita e ao centro.

O cenário chama atenção porque a disputa ocorre em um contexto no qual a maioria dos governadores busca manter a influência sobre a sucessão estadual. Tradicionalmente, a máquina administrativa costuma representar uma vantagem importante para candidatos governistas. Os levantamentos, porém, mostram que esse fator não tem sido suficiente para garantir liderança em grande parte do País.

Pesquisas para governos dos estados

Acre

  • Alan Rick (Republicanos): 41,2%
  • Mailza Assis (Progressistas): 24,4%
  • Tião Bocalom (PSDB): 16,1%

Paraná Pesquisas, divulgada em 3/6. Margem de erro: 3,2 pontos

Alagoas

  • JHC (PSDB): 68,9%
  • Renan Filho (MDB): 31,1%

Veritá, divulgada em 5/5. Margem de erro: 3 pontos

Amapá

  • Dr Fulan (PSD): 70,5%
  • Clécio Luís (União Brasil): 29,5%

Veritá, divulgada em 3/6. Margem de erro: 3,5 pontos

Amazonas

  • Maria do Carmo (PL): 33,9%
  • Omar Aziz (PSD): 26,7%
  • David Almeida (Avante): 10%
  • Roberto Cidade (União Brasil): 9,4%

Veritá, divulgada em 28/5. Margem de erro: 3 pontos

Bahia

  • ACM Neto (União Brasil): 41%
  • Jerônimo Rodrigues (PT): 37%

Quaest, divulgada em 29/4. Margem de erro: 3 pontos

Ceará

  • Ciro Gomes (PSDB): 41%
  • Elmano de Freitas (PT): 32%
  • Eduardo Girão (Novo): 4%

Quaest, divulgada em 30/4. Margem de erro: 3 pontos

Distrito Federal

  • Celina Leão (Progressistas): 19,9%
  • Izalci Lucas (PL): 19,5%
  • José Roberto Arruda (PSD): 16,6%
  • Ricardo Cappelli (PSB): 15%
  • Leandro Grass (PT): 13,5%
  • Paula Belmonte (PSDB): 11,3%

Veritá, divulgada em 1º/4. Margem de erro: 3 pontos

Espírito Santo

  • Ricardo Ferraço (MDB): 36%
  • Lorenzo Pazolini (Republicanos): 28%
  • Magno Malta (PL): 14%
  • Helder Salomão (PT): 10%

Realtime Big Data, divulgada em 9/5. Margem de erro 2 pontos

Goiás

  • Daniel Vilela (MDB): 38%
  • Marconi Perillo (PSDB): 22%
  • Wilder Morais (PL): 14%
  • Adriana Accorsi (PT): 13%

Realtime Big Data, divulgada em 13/5. Margem de erro: 2 pontos

Maranhão

  • Eduardo Braide (PSD): 50,1%
  • Orleans Brandão (MDB): 23,1%
  • Felipe Camarão (PT): 14%

Atlasintel, divulgada em 15/5. Margem de erro: 3 pontos

Mato Grosso

  • Wellington Fagundes (PL): 35%
  • Jayme Campos (União Brasil): 23%
  • Otaviano Pivetta (Republicanos): 19%

Realtime Big Data, divulgada em 2/6. Margem de erro: 2 pontos

Mato Grosso do Sul

  • Eduardo Riedel (Progressistas): 43%
  • Fábio Trad (PT): 21%
  • João Henrique Catan (Novo): 11%

Realtime Big Data, divulgada em 12/5. Margem de erro: 2 pontos

Minas Gerais

  • Cleitinho (Republicanos): 39%
  • Alexandre Kalil (PDT): 17%
  • Mateus Simões (PSD): 13%

Realtime Big Data, divulgada em 21/5. Margem de erro: 2 pontos

Paraná

  • Sérgio Moro (PL): 35%
  • Requião Filho (PDT): 18%
  • Rafael Greca (MDB): 15%

Quaest, divulgada em 27/4. Margem de erro: 3 pontos

Paraíba

  • Lucas Ribeiro (Progressistas): 30%
  • Cícero Lucena (MDB): 28%
  • Efraim Filho (PL): 19%

Realtime Big Data, divulgada em 27/5. Margem de erro: 2 pontos

Pará

  • Dr. Daniel Santos (Podemos): 22%
  • Hana Ghassan (MDB): 19%
  • Mário Couto (DC): 11%

Quaest, divulgada em 27/4. Margem de erro: 3 pontos

Pernambuco

  • Raquel Lyra (PSD): 48%
  • João Campos (PSB): 43%

Datafolha, divulgada em 28/5. Margem de erro: 3 pontos

Piauí

  • Rafael Fonteles (PT): 63,4%
  • Joel Rodrigues (Progressistas): 24,7%

Atlasintel, divulgada em 19/5. Margem de erro: 2 pontos

Rio de Janeiro

  • Eduardo Paes (PSD): 34%
  • Douglas Ruas (PL): 9%

Quaest, divulgada em 27/4. Margem de erro: 3 pontos

Rio Grande do Norte

  • Cadu Xavier (PT): 37,7%
  • Allyson Bezerra (União Brasil): 27,6%
  • Álvaro Dias (PL): 27,3%

AtlasIntel, divulgada em 29/5. Margem de erro: 3 pontos

Rio Grande do Sul

  • Juliana Brizola (PDT): 24%
  • Luciano Zucco (PL): 21%

Quaest, divulgada em 30/4. Margem de erro: 3 pontos

Rondônia

  • Marcos Rogério (PL): 42,5%
  • Adailton Fúria (PSD): 22,2%
  • Hildon Chaves (União Brasil): 21,7%

Veritá, divulgada em 14/5. Margem de erro: 3 pontos

Roraima

  • Arthur Henrique (PL): 60%
  • Edilson Damião (Republicanos): 31,7%

Veritá, divulgada em 8/4. Margem de erro: 3,5 pontos

Santa Catarina

  • Jorginho Mello (PL): 68,1%
  • João Rodrigues (PSD): 15,5%
  • Gelson Merísio (PSB): 10,4%

Veritá, divulgada em 7/6. Margem de erro: 2,5 pontos

Sergipe

  • Fábio Mitidieri (PSD): 41%
  • Valmir de Francisquinho (Republicanos): 38%

RealTime Big Data, divulgada em 26/5. Margem de erro: 2 pontos

São Paulo

  • Tarcísio de Freitas (Republicanos): 38%
  • Fernando Haddad (PT): 26%

Quaest, divulgada em 29/4. Margem de erro: 2 pontos

Tocantins

  • Professora Dorinha (União Brasil): 35%
  • Laurez Moreira (PSD): 18%
  • Vicentino Júnior (PSDB): 12%

RealTime Big Data, divulgada em 25/3. Margem de erro 2 pontos

Nordeste mais competitivo

Historicamente considerado um dos principais redutos eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Nordeste apresenta hoje um cenário de bastante competitividade.

Dos estados governados por partidos de esquerda ou centro-esquerda, apenas Piauí e Rio Grande do Norte registram liderança de candidatos petistas nas pesquisas.

Em outros dois importantes estados da região, Bahia e Ceará, os governadores Jerônimo Rodrigues (PT) e Elmano de Freitas (PT) enfrentam dificuldades para conquistar a reeleição. Ambos aparecem atrás dos principais adversários nas pesquisas mais recentes, embora em cenários considerados competitivos.

O quadro indica que, mesmo mantendo força eleitoral no Nordeste, a esquerda pode encontrar um ambiente mais disputado do que aquele observado em eleições anteriores.

Outro aspecto revelado pelas pesquisas é a dificuldade da esquerda em ampliar sua presença para além de seus redutos históricos.

As lideranças de candidatos identificados com esse campo político concentram-se majoritariamente no Nordeste. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, partidos de esquerda não aparecem na dianteira em nenhum dos principais colégios eleitorais.

O quadro contrasta com a vitória de Lula na eleição presidencial de 2022 e sugere que a força eleitoral demonstrada na disputa nacional não tem se reproduzido automaticamente nas corridas pelos governos estaduais.

PL lidera avanço da direita

Entre os partidos, o PL é a legenda que aparece em posição mais favorável na corrida pelos governos estaduais. A sigla lidera atualmente as pesquisas em Amazonas, Mato Grosso, Paraná, Rondônia e Santa Catarina, além de disputar posições competitivas em outros estados.

Mais do que a quantidade de lideranças, os números mostram a consolidação da presença do partido em diferentes regiões do País, especialmente no Norte, Centro-Oeste e Sul, ampliando a influência conquistada pelo campo bolsonarista nos últimos ciclos eleitorais.

Já o PT lidera diretamente apenas no Piauí e no Rio Grande do Norte. O partido ainda mantém chances relevantes de reeleição na Bahia e no Ceará, além de aparecer competitivo em estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul, embora sem ocupar a primeira colocação nos levantamentos mais recentes.

Se o PL desponta como principal força da direita, PSD e MDB aparecem como destaques do centro político.

Após conquistar o maior número de prefeituras nas eleições municipais de 2024, o PSD lidera atualmente as disputas em Amapá, Maranhão e Rio de Janeiro, além de estar em empate técnico em Pernambuco e Sergipe. A legenda também permanece competitiva no Amazonas, Distrito Federal, Rondônia e Tocantins.

O MDB, por sua vez, aparece na liderança no Espírito Santo e em Goiás, além de figurar entre os principais postulantes no Pará.

O União Brasil também demonstra capilaridade nacional, liderando a disputa em Tocantins e permanecendo competitivo em estados como Bahia, Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Rondônia.

Embora tenha perdido protagonismo nacional nos últimos ciclos eleitorais, o PSDB ainda aparece competitivo em algumas disputas estaduais. O principal destaque é o Ceará, onde o ex-governador Ciro Gomes lidera as pesquisas de intenção de voto e se tornou uma das principais apostas da legenda para voltar a comandar um governo estadual.

Os tucanos também lideram a disputa em Alagoas, com o ex-prefeito de Maceió, JHC, que aparece com ampla vantagem nos levantamentos divulgados até aqui. Em Goiás, o ex-governador Marconi Perillo figura entre os principais concorrentes, enquanto no Tocantins o partido permanece presente na disputa.

Entre os partidos que tentam reverter perdas recentes, o PSDB surge como um caso particular. Apesar de ter perdido protagonismo nacional, a legenda lidera atualmente as pesquisas no Ceará e em Alagoas e mantém candidaturas competitivas em outros estados.

Embora ainda faltem meses para a definição das candidaturas e para o início da campanha eleitoral, os levantamentos divulgados até aqui indicam que a disputa pelos governos estaduais tende a reforçar o protagonismo de partidos de centro e direita, ao mesmo tempo em que impõe desafios para a manutenção e expansão dos espaços controlados pela esquerda.

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