Enquanto o Partido dos Trabalhadores ainda não definiu sua equipe jurídica, Flávio Bolsonaro intensifica as movimentações na esfera eleitoral. O senador e pré-candidato à Presidência pelo PL aproveita a indefinição no campo adversário para avançar com uma série de representações no Tribunal Superior Eleitoral.
Faltando quatro meses para o primeiro turno das eleições, a pré-campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não formalizou a coordenação jurídica que atuará no TSE. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem utilizado esse vácuo para intensificar uma ofensiva na Justiça Eleitoral, protocolando mais de 40 representações contra o petista.
Para comandar a estratégia jurídica da campanha, Flávio contratou a ex-ministra do TSE Maria Cláudia Bucchianeri. Com vasta experiência na área eleitoral, a advogada mantém bom relacionamento com os ministros do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal.
Bucchianeri organizou uma equipe dedicada ao monitoramento constante de todas as declarações e ações do PT que possam configurar propaganda negativa contra o PL ou propaganda eleitoral antecipada. O advogado Tracy Reinaldet, especializado em direito eleitoral penal, também integra o time.
Até o dia 2 de junho, a equipe do PL já havia ingressado com 44 representações no TSE contra Lula e o partido. Para efeito de comparação, durante toda a campanha de 2022, Jair Bolsonaro ajuizou 149 representações. No polo passivo, Flávio Bolsonaro responde a 23 ações movidas pelo PT e por outras legendas, como o Missão.
A indefinição no PT
O advogado Angelo Longo Ferraro tem atuado oficialmente nos casos que envolvem a legenda e a pré-candidatura de Lula. No entanto, a expectativa é que seja estruturada uma coordenação jurídica específica para a campanha eleitoral, com atuação junto ao TSE e, eventualmente, na esfera penal.
Lula já manifestou ao coordenador de campanha do PT, Edinho Silva, e a aliados o desejo de que o advogado Marco Aurélio de Carvalho, do Grupo Prerrogativas e amigo próximo do presidente, assuma a liderança da equipe jurídica. A formalização, contudo, depende de uma reunião com Edinho.
O coordenador do PT mantém-se firme em não oficializar a indicação de Lula e já buscou outros profissionais próximos que poderiam atuar de maneira técnica nas ações do partido. Edinho Silva sofre pressão para interferir na composição da equipe jurídica, com nomes alinhados à cúpula da legenda.
A indefinição sobre o nome tem causado desconforto na cúpula partidária. O presidente do PT já sondou os advogados Pierpaolo Bottini e Fernando Neisser para integrarem o time jurídico, mas montar a equipe sem definir a chefia do grupo pode aprofundar os atritos internos.
A demora na definição é motivo constante de reclamação por parte de advogados e auxiliares de ministros do TSE. Eles avaliam que será essencial estabelecer uma boa interlocução com a equipe de advogados para garantir celeridade no julgamento das representações.







