Comissão de Direitos Humanos lança obra sobre movimentos sociais capixabas

A trajetória de quem batalhou por moradia, combateu o racismo, protegeu os territórios tradicionais, resistiu à violência e ajudou a formular políticas públicas de direitos humanos está agora compilada em uma publicação pioneira que será apresentada pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales). O lançamento ocorrerá no dia 25 de junho, às 19 horas, no Palácio da Cultura Sônia Cabral, localizado no Centro de Vitória, com entrada franca e livre para todos os interessados.

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Coordenada pela comissão presidida pela deputada estadual Camila Valadão (PSOL), a obra intitulada “Direitos Humanos no Espírito Santo: resistências, lutas e sujeitos históricos” agrupa artigos, entrevistas e depoimentos que documentam parte do percurso dos movimentos sociais e das entidades que contribuíram para edificar a luta por direitos no estado.

“Esta publicação surge do entendimento de que a história dos direitos humanos no Espírito Santo não pode ser narrada exclusivamente pelas instituições, mas sobretudo pelas pessoas e coletividades que estiveram à frente de processos de resistência nas últimas décadas. São percursos de luta forjados por mulheres, pelo movimento negro, pelos povos indígenas, comunidades quilombolas, movimentos habitacionais, juventudes e por tantos atores que auxiliaram a modificar a realidade do nosso estado”, declara a deputada.

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A coletânea reúne 16 artigos e três entrevistas elaborados por acadêmicos, lideranças comunitárias e representantes de entidades da sociedade civil. Os assuntos abordados incluem a luta quilombola na região do Sapê do Norte, a resistência de mulheres negras, a organização das pessoas impactadas pelo desastre da Samarco, os embates fundiários e a realidade da juventude negra, entre outros tópicos. A publicação também revisita o percurso da própria Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, que nos últimos anos expandiu sua atuação por todo o Espírito Santo, monitorando denúncias, realizando visitas institucionais e fiscalizando violações de direitos.

“Além de resgatar parte dessa memória coletiva, o livro oferece um panorama das violações de direitos humanos que ainda representam desafios para o Espírito Santo. Dados compilados na publicação evidenciam o trabalho da Comissão de Direitos Humanos, que acolheu 326 denúncias e solicitações de acompanhamento entre 2023 e 2025, abrangendo casos de violência policial, sistema prisional, conflitos agrários, racismo, LGBTQIAPN+fobia, violações contra crianças e adolescentes e outras situações de desrespeito a direitos”, ressalta Camila Taquetti, supervisora da Comissão e uma das organizadoras do volume.

Na visão da deputada Camila Valadão, o lançamento ocorre num período em que a proteção dos direitos humanos demanda não apenas ação política, mas igualmente a conservação da memória.

“Os direitos humanos são fruto de inúmeras lutas coletivas. Ao registrar essas narrativas, mostramos às novas gerações que nenhum direito foi concedido ao acaso. Todos foram conquistados por pessoas que se mobilizaram para enfrentar desigualdades, preconceitos e violências. Este livro é também uma reverência a todos que construíram e continuam edificando essas resistências no Espírito Santo”, conclui.

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