Lula abre vantagem sobre Flávio após caso “Dark Horse”, aponta Datafolha

Na primeira pesquisa do Datafolha realizada após a revelação do caso “Dark Horse” na campanha de Flávio Bolsonaro, o presidente Lula (PT) ampliou de 3 para 9 pontos sua vantagem sobre o senador pelo PL do Rio de Janeiro na simulação de primeiro turno, marcando 40% contra 31% do rival.

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Há uma semana, os dois estavam em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais: 38% a 35%. No cenário de segundo turno, o empate em 45% transformou-se agora em vantagem de 47% a 43% para o petista.

Na semana anterior, o instituto havia divulgado levantamento cuja maioria das entrevistas foi feita antes da notícia de que Flávio havia pedido dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente para financiar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe.

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Desta vez, o Datafolha voltou às ruas entre quarta (20) e quinta-feira (21), com o episódio já amplamente conhecido: 64% dos 2.004 entrevistados em 139 cidades disseram ter ouvido falar do caso, e o mesmo percentual considera que o senador agiu mal.

No cenário mais provável hoje para o primeiro turno, Lula e Flávio seguem isolados na frente. Os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO, 4%) e Romeu Zema (Novo-MG, 3%) empatam com Renan Santos (Missão) e Samara Martins (UP), ambos com 3%. Tecnicamente no mesmo patamar estão Augusto Cury (Avante, 2%), Rui Costa Pimenta (PCO, 1%), Cabo Daciolo (Mobiliza, 1%) e Aldo Rebelo (DC, 1%), este último já removido da disputa pelo seu partido, que agora cogita indicar o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa. A mudança ocorreu após o registro da pesquisa, sob o código BR-07489/2026 no TSE.

Lula segue em vantagem em um eventual segundo turno contra outros rivais. Da semana passada para cá, passou de 46% para 48% no confronto com Caiado, que ficou com 39%. Contra Zema, teve a mesma alta, enquanto o mineiro oscilou de 40% para 39%.

Cogitada como possível substituta de Flávio em caso de desistência, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) tem desempenho semelhante ao do senador num hipotético segundo turno contra Lula: ela teria 43%, enquanto o presidente marcaria 48%. Já na simulação de primeiro turno, ela vai pior que Flávio, marcando 22% ante 41% de Lula, ainda assim isolada do pelotão de baixo, liderado por Zema com 6%. Atualmente, a candidatura de Michelle é vista como distante, pois o ex-presidente e o PL querem que ela dispute o Senado pelo Distrito Federal.

O resultado representa o primeiro revés significativo na campanha do senador desde que seu nome foi lançado no fim do ano. Aproveitando uma onda de más notícias para o governo Lula e sem contestações diretas, Flávio havia se isolado na segunda posição no primeiro turno. Em abril, chegou a superar numericamente o petista pela primeira vez no cenário de segundo turno. Na pesquisa da semana passada, a ascensão foi interrompida, e ambos empataram em 45%.

A situação política de Flávio é delicada. Desde que o caso veio à tona a partir de uma reportagem do Intercept Brasil, ele foi pego mudando de versão várias vezes. Inicialmente, acusou o site de divulgar fake news, mas depois admitiu que havia pedido o dinheiro supostamente para a produção de “Dark Horse” (azarão, em inglês), sobre a campanha vitoriosa de Bolsonaro em 2018. Mais tarde, admitiu que algo mais, “um vídeo”, poderia aparecer, mas sustentou que não tivera contato pessoal com o ex-banqueiro. Investigações revelaram ligações entre os envolvidos no filme e seu irmão, o deputado cassado Eduardo (PL-SP). Na terça (19), o senador admitiu que se encontrou com Vorcaro após ele ter saído da prisão.

O ex-banqueiro, cujo Master foi liquidado no ano passado, está no centro de um escândalo estimado em dezenas de bilhões de reais, envolvendo emissão de títulos podres e sobrevalorização de ativos, com ramificações em governos e uma tentativa de compra do banco pelo estatal BRB. Suas conexões com os mundos político e empresarial estão sendo investigadas pela Polícia Federal e já atingiram outras figuras ligadas a Flávio, como o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira. Sob desconfiança de aliados, o senador trocou de marqueteiro e afirma que seguirá na disputa.

Segundo o Datafolha, Flávio ainda mantém vantagem sobre seus adversários na corrida eleitoral e continua sendo a principal figura anti-Lula no pleito de outubro. Na pesquisa espontânea, quando o eleitor não vê a lista de opções, ele se manteve estável com 17% das intenções de voto, enquanto o presidente tem 28%. Michelle não é citada nesse cenário.

A rejeição dos dois líderes segue definindo o tom: não votariam de modo algum em Flávio 46%, ante 45% que também descartam apoiar Lula. Michelle vem a seguir, com 31% de rejeição. A favor da ex-primeira-dama há o fato de que ela é um pouco menos conhecida que o enteado: 13% não sabem quem ela é, contra 7% que dizem o mesmo do senador. Nesse ponto, os ex-governadores na disputa têm um perfil favorável: Caiado é desconhecido por 52% e tem 15% de rejeição, enquanto Zema marca 53% e 18%, respectivamente.

Do ponto de vista do perfil do eleitorado, não há mudanças significativas. Lula tem seu maior apoio entre mulheres, os mais pobres, os menos instruídos, nordestinos e católicos. Flávio, por sua vez, registra desempenho acima da média entre homens, evangélicos, moradores do Sul e do Norte/Centro-Oeste, além dos segmentos de classe média e mais ricos.

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