O futuro da inteligência artificial está diretamente ligado à responsabilidade com que os seres humanos a conduzirem, conforme destacou Marcelo Santos. A declaração ocorreu durante um evento internacional que uniu representantes de parlamentos e especialistas para debater inovação.
Inovação no parlamento capixaba
A Assembleia Legislativa do Espírito Santo apresentou, durante o LegisTech 2025, novas plataformas de inteligência artificial voltadas à modernização dos processos legislativos e ao reforço da transparência institucional. Realizado na sede do Parlamento capixaba entre quinta-feira (14) e sexta-feira (15), o encontro congregou representantes de legislativos do Brasil e de outras nações para discutir soluções tecnológicas aplicadas à gestão pública e ao trabalho parlamentar.
Primeira assembleia legislativa digital do país desde 2018, a Ales exibiu iniciativas voltadas à automação de rotinas internas, ampliação do acesso às informações legislativas e qualificação dos serviços oferecidos à população. “Receber um evento tão relevante como o LegisTech mostra que o Espírito Santo acompanha as transformações tecnológicas globais e participa ativamente desse debate”, afirmou o presidente da Casa, Marcelo Santos (União). “Queremos aproximar cada vez mais a sociedade do trabalho do Legislativo, ampliando o acesso à informação e à participação popular”, completou.
Evolução e novas ferramentas
Entre as iniciativas apresentadas está o programa IA.LES, que agrega sistemas voltados à automação de rotinas administrativas, otimização do fluxo interno de processos e ampliação da transparência pública. “A inovação deixou de ser tendência e passou a ser necessidade dentro do serviço público”, avaliou Marcelo Santos.
Uma das ferramentas permitirá ao cidadão consultar projetos em tramitação por meio do WhatsApp e receber resumos em linguagem simplificada. “A tecnologia facilita o acesso à informação e aproxima o Parlamento da sociedade”, afirmou o secretário-geral da Mesa Diretora, Carlos Eduardo Casa Grande.
O diretor de Transparência, Inovação e Projetos Especiais da Casa, Marcos Aquino, destacou que os novos recursos incluem sistemas de transcrição automática de sessões, apoio à produção de documentos e integração de fluxos administrativos. Segundo ele, as soluções foram desenvolvidas para apoiar servidores e parlamentares sem substituir a atuação humana. “A inteligência artificial atua como suporte para qualificar o trabalho técnico”, afirmou.
Troca de experiências
Outro projeto citado como marco da digitalização da Casa foi o Revisa Ales, responsável pela revisão da legislação estadual e pela eliminação de cerca de 7 mil normas consideradas obsoletas ou inconstitucionais. “Somos o estado com a maior segurança jurídica do país. Retiramos do arcabouço jurídico o que chamamos de ‘lixo legislativo’”, explicou Marcelo Santos.
“A inteligência artificial é um dos temas mais relevantes do cenário global atualmente”, afirmou o secretário de Relações Institucionais da Ales, Giuliano Nader. Segundo ele, a presença de representantes da Organização dos Estados Americanos, do Parlamento dos Açores, em Portugal, e da Universidade Austral, na Argentina, reforçou o intercâmbio internacional de experiências sobre inovação institucional.
Luis Kimaid, diretor-executivo da Bússola Tech, organizadora do evento em parceria com a Ales, destacou que os parlamentos de diferentes países enfrentam desafios semelhantes diante das mudanças tecnológicas. Para ele, as instituições legislativas precisam ocupar posição central nas discussões sobre o futuro da democracia.
“O processo legislativo digital pode tornar a informação mais acessível, e a IA abre uma nova fronteira para os parlamentos. Uma das maiores forças da comunidade parlamentar internacional é a capacidade de cooperar além das fronteiras e dos sistemas políticos”, afirmou Kimaid.
Os participantes defenderam políticas de inovação com foco em governança, segurança digital e fortalecimento das instituições democráticas. Para Sandra Costa, secretária-geral do Parlamento dos Açores, “modernização exige estratégia, gestão e controle humano”.
“A inteligência artificial não substitui o ser humano na execução das tarefas. Ela oferece suporte e condições para um trabalho mais qualificado”, destacou Marcos Aquino.
A expectativa é que as experiências compartilhadas durante o LegisTech contribuam para acelerar a modernização dos parlamentos, ampliar a transparência institucional e fortalecer o acesso da população às informações públicas e ao processo legislativo.







