A classificação de grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas pelos Estados Unidos coloca o governo em uma situação complexa, especialmente em um período eleitoral. Em entrevista ao WW, Creomar de Souza, CEO da consultoria Dharma Politics, analisou que a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será colocada à prova pela maneira como o Executivo lidará com essa determinação nos próximos meses.
Membros do governo e do PT passaram a declarar que a decisão norte-americana é mais uma investida da oposição contra o Brasil. Contudo, Creomar entende que o assunto ultrapassa o debate sobre soberania nacional, demandando uma postura política e comunicacional mais robusta.
A capacidade de articulação como elemento fundamental
Para o CEO da Dharma Politics, o sucesso da reação governamental dependerá de dois fatores essenciais. “O primeiro deles é a habilidade do governo em construir e coordenar uma resposta”, explicou Creomar.
O analista apontou a tradicional dificuldade do PT em tratar de segurança pública, lembrando que a atual gestão já apresentou, “com muitas dificuldades e oscilações”, um debate sobre uma nova legislação para equilibrar as questões de segurança pública no Congresso Nacional.
Creomar avaliou os indícios, vindos dos bastidores, de que o governo poderia recorrer novamente ao argumento da soberania como reação ao reconhecimento das facções criminosas como terroristas pelos EUA. A dúvida é se essa abordagem surtiria efeito no cenário político vigente.
Casos hemisféricos: os exemplos do México e da Colômbia
Para demonstrar as alternativas disponíveis, Creomar mencionou duas situações na América Latina. De um lado, citou Claudia Sheinbaum, presidente do México, que, em sua visão, “tem conseguido, até o momento, gerenciar a pressão vinda da Casa Branca e converter isso em decisões bastante firmes e em ganho de popularidade”.
Do outro, destacou o caso da Colômbia, onde o líder do país “mergulhou em um ciclo crescente de atritos com os Estados Unidos, o que teve um alto custo para ele”, podendo inclusive abrir caminho para um sucessor de extrema-direita nas próximas eleições presidenciais.
Na opinião do CEO, esses casos evidenciam que a postura do governo brasileiro precisa ser cuidadosamente administrada, tanto na área da comunicação quanto na esfera política. “Vamos precisar acompanhar como essa reação será elaborada no âmbito do marketing, da comunicação e também na dinâmica política dos estadistas”, finalizou o analista.






