Ales lança programa contra violência infantil

A dificuldade em reconhecer situações de violência que atingem crianças e adolescentes — sobretudo quando acontecem no seio familiar — é o foco de uma nova ação da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales). Nesta quinta-feira, às 9 horas, a Assembleia fará o lançamento oficial do programa Guardiões da Infância, no Plenário Dirceu Cardoso.

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A iniciativa visa capacitar de forma prática a rede municipal para reconhecer indícios iniciais de abuso, seguir os protocolos adequados de encaminhamento e reforçar a atuação conjunta entre setores como educação, saúde, assistência social e conselhos tutelares, com ênfase na prevenção e no acolhimento das vítimas.

O programa será implementado com o suporte da Casa dos Municípios da Assembleia e deve mobilizar gestores públicos, profissionais da rede de proteção e a sociedade civil. A expectativa é que a ação atinja municípios de todo o estado, aumentando a capacidade de reação do poder público e fomentando uma cultura de proteção ativa à infância.

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Subnotificação

Idealizado pelo psicólogo forense Rafael Monteiro, o projeto surge de uma percepção alarmante: a maior parte dos casos de violência infantil ocorre no ambiente doméstico e, frequentemente, não é comunicada às autoridades. “A criança, na maioria das vezes, não faz a denúncia. Ela manifesta sinais por meio do comportamento. O obstáculo é que esses indícios ainda são ignorados por falta de preparo específico de quem está na linha de frente”, esclarece Monteiro.

De acordo com o especialista, outro elemento que intensifica a vulnerabilidade é a negligência emocional, cada vez mais comum. “Vivemos uma realidade em que muitas crianças estão fisicamente acompanhadas, mas emocionalmente desamparadas. Esse contexto eleva consideravelmente o risco de exposição a diversas formas de violência”, destaca.

O Espírito Santo registra uma média anual de 390 crianças vítimas de violência, sendo que parte desses casos se repete, conforme dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. No entanto, especialistas advertem que os números reais podem ser superiores devido à subnotificação.

Nesse cenário, o programa pretende atuar exatamente na base do sistema: professores, profissionais de saúde, assistência social e conselheiros tutelares — que costumam ser os primeiros a notar alterações no comportamento das vítimas.

Para o presidente da Assembleia, deputado Marcelo Santos (União), o fortalecimento da rede é fundamental para impedir que os casos se agravem.

“A rede de proteção só opera quando quem está na base tem preparação, suporte e respaldo para intervir. Professores, profissionais de saúde, de assistência social e conselheiros são os primeiros a perceber quando algo está errado. Desejamos nos conectar a esses profissionais, oferecer apoio e assegurar que ninguém aja isoladamente. A meta é clara: aprimorar a resposta antes que a situação se complique”, ressalta.

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