O Brasil percorre uma trajetória singular quando se trata de consumo de plataformas de streaming. Ao contrário da tendência mundial, onde o drama assume a liderança de forma expressiva, a audiência brasileira revela uma inclinação maior por produções de terror, colocando o país entre as raras nações onde este gênero ocupa o topo da lista.
Essa informação provém de um estudo internacional que examinou os hábitos de audiência por gênero, produtora e origem do conteúdo em mais de 100 países. No recorte brasileiro, o terror surge como o gênero predileto – uma posição compartilhada apenas com México e Suécia.
De acordo com o relatório, essa predileção pode ser parcialmente atribuída à forte presença de tramas ligadas ao suspense, ao sobrenatural e ao horror no imaginário cultural local. No México, essa hegemonia do terror é ainda mais acentuada, com aproximadamente um quarto de todos os títulos consumidos pertencendo a esse gênero.
Apesar dessa peculiaridade, o Brasil permanece alinhado a uma tendência mais abrangente da América Latina: o consumo predominante de obras internacionais, notadamente aquelas originárias da América do Norte. Em outras palavras, mesmo com gostos específicos por gênero, o catálogo mais assistido no território nacional ainda é, em grande parte, importado.
Outro aspecto digno de nota é a relevância das grandes produtoras no consumo interno. Corporações como Netflix e Universal Pictures figuram entre as mais impactantes no país, consolidando a influência dos gigantes mundiais no mercado local.
Gêneros mais assistidos no mundo
Globalmente, o drama se destaca como o gênero mais consumido, encabeçando a lista em 51 países espalhados por diversas regiões. Em mercados como França, Estados Unidos e Reino Unido, ele possui uma vantagem considerável — em certos casos, representando aproximadamente um em cada cinco títulos assistidos.
Outros gêneros também exibem destaque regional. A ficção científica lidera em 14 nações, principalmente na Europa e na Ásia, enquanto o gênero policial possui forte presença em 11 mercados. A ação domina em partes do Oriente Médio, e a fantasia surge como a principal opção na Grécia.
A variedade de preferências demonstra que, apesar de existirem tendências mundiais, o consumo via streaming ainda é profundamente influenciado por fatores culturais e regionais.
Principais empresas
Dentre as produtoras, a Netflix aparece como a líder mundial, sendo responsável pelo conteúdo mais visto em 58 países. A companhia se beneficia de um catálogo diversificado e de táticas que abrangem planos mais econômicos, o que expande seu alcance.
Logo atrás, encontram-se estúdios tradicionais como Warner Bros. Pictures e Universal Pictures, com atuação forte em várias regiões – especialmente na América Latina, incluindo o Brasil.
Outras corporações, como HBO Max, possuem um desempenho mais pontual, liderando apenas em mercados específicos, a exemplo de Albânia e Montenegro.
Origem do conteúdo
A maior parte do conteúdo consumido globalmente se origina na América do Norte, que lidera em cerca de 70 nações. A força da indústria audiovisual dos Estados Unidos continua a ser um fator determinante para o panorama internacional.
Na América Latina, esse padrão se reproduz. Mesmo com alguma presença de obras regionais, o conteúdo norte-americano domina amplamente o consumo. Em países como a Colômbia, por exemplo, as produções locais aparecem como segunda opção, mas ainda significativamente atrás do material importado.
Já na Ásia, o cenário é divergente: o conteúdo local é preponderante, evidenciando um mercado mais autossuficiente em termos de produção e consumo.
De forma geral, o estudo indica que, embora o streaming seja um fenômeno global, as preferências por gênero e a procedência do conteúdo ainda espelham diferenças culturais significativas.







