Observar um cão a mastigar grama durante uma caminhada ou no jardim é uma ocorrência bastante comum e que frequentemente deixa os tutores apreensivos. Afinal, o animal está tentando aliviar um desconforto estomacal ou esse comportamento é inteiramente habitual?
Conforme especialistas em comportamento animal, a resposta traz alívio para a maioria das situações. Ingerir grama faz parte da rotina de muitos cães saudáveis e, na grande maioria das vezes, não indica que estejam doentes ou necessitem de cuidados imediatos.
Embora ingerir grama geralmente não ofereça perigo, há circunstâncias em que o tutor precisa monitorar o animal com maior atenção.
Hábito frequente entre os cães
Pesquisas envolvendo mais de 1.500 tutores revelam que essa prática é bem mais frequente do que muitos supõem, conforme reportagem do site Infobae. Entre os cães com acesso à vegetação, cerca de 79% já foram observados comendo plantas. Outro estudo apontou que aproximadamente 68% fazem isso diariamente ou ao menos uma vez por semana, tendo a grama como preferência absoluta.
Esses dados corroboram a percepção de que, para grande parte dos cães, mascar grama é um comportamento natural, sem que haja necessariamente qualquer indício de mal-estar.
Cães comem grama para vomitar?
Por muito tempo, acreditou-se que os cães buscavam a grama com o objetivo de provocar vômito e assim aliviar desconfortos digestivos. No entanto, evidências científicas mais recentes indicam que essa teoria não se aplica à maioria dos casos.
Um estudo conduzido pela Universidade da Califórnia, em Davis, mostrou que apenas perto de 9% dos cães exibiam sinais de enfermidade antes de ingerir grama. Além disso, somente aproximadamente 22% vomitavam com regularidade após esse hábito.
Os investigadores concluíram que, quando ocorre vômito, geralmente o cão já manifestava algum problema antes de comer a grama. Em outras palavras, a grama não é a fonte do desconforto nem é usada como um método de “purgação”.
Por que os cães demonstram apreço por grama?
Profissionais da área afirmam que não existem provas de que esse costume esteja ligado a carências nutricionais na dieta.
Uma das teorias mais aceitas é bastante simples: muitos cães apreciam o sabor, a textura e a experiência de mastigar a grama, sobretudo quando está fresca ou recém-cortada.
Outro aspecto que pode contribuir é a herança evolutiva. Cientistas acreditam que os antepassados selvagens dos cães consumiam plantas como parte de um comportamento instintivo, talvez relacionado à eliminação de parasitas intestinais através das fibras vegetais. Apesar dessa possibilidade, ainda não há confirmação definitiva de que essa seja a finalidade desse costume nos cães domésticos de hoje.
Quando o hábito requer observação
Ainda que ingerir grama geralmente não ofereça perigo, há circunstâncias em que o tutor precisa monitorar o animal com maior atenção.
Médicos veterinários sugerem buscar orientação especializada se o cão:
- Coma grama de maneira excessiva ou compulsiva
- Apresente indícios de doença antes de comer a planta
- Vomite repetidamente depois dessa ação
- Exiba outros sintomas, como perda de apetite, letargia ou mudanças digestivas
É igualmente essencial evitar que o animal tenha acesso a relvados tratados com pesticidas, fertilizantes ou outros agentes químicos, bem como impedir o contato com plantas que possam ser tóxicas para os cães.







