Nos últimos dias, recebi uma mensagem de um número desconhecido no WhatsApp que dizia: “Eu sou a nora da irmã Angelina, Marta, estou aqui na casa dela”, acompanhada de um vídeo de visualização única. A conversa aparentava ser de alguém conhecido e parecia ter o único objetivo de despertar curiosidade para que eu abrisse o conteúdo. Em vez disso, bloqueei imediatamente o contato. A tentativa chamou a atenção por ilustrar uma estratégia que vem sendo utilizada por criminosos para atrair vítimas e iniciar golpes por meio do recurso de visualização única do aplicativo.
Criado para reforçar a privacidade dos usuários, o recurso de visualização única permite que fotos e vídeos sejam abertos apenas uma vez antes de desaparecerem da conversa. No entanto, a funcionalidade passou a ser explorada por golpistas, que enviam mensagens com histórias aparentemente inofensivas ou intrigantes para induzir a vítima a interagir com o conteúdo. Segundo especialistas em segurança digital, esse tipo de abordagem explora a curiosidade e a confiança do usuário, reduzindo o tempo para que ele reflita sobre a autenticidade da mensagem antes de agir.
Após a abertura do vídeo ou da foto, inicia-se a segunda etapa da fraude. O conteúdo costuma ter teor íntimo, sexual ou potencialmente constrangedor, sendo utilizado apenas como pretexto para a chantagem. Em seguida, os criminosos entram em contato alegando que a visualização foi registrada e passam a se identificar falsamente como policiais civis, delegados, advogados ou representantes de órgãos de investigação. Afirmam, sem qualquer fundamento, que o material envolve menores de idade ou que a vítima teria cometido um crime, exigindo transferências via Pix para evitar uma suposta prisão, investigação criminal ou a divulgação do caso para familiares. A pressão psicológica e o medo das consequências são os principais instrumentos utilizados para convencer a vítima a pagar.
Diante desse cenário, recomendamos desconfiar de qualquer mensagem enviada por números desconhecidos, principalmente quando vier acompanhada de fotos ou vídeos de visualização única. A orientação é não abrir conteúdos suspeitos, bloquear imediatamente contatos desconhecidos que utilizem esse tipo de abordagem, jamais realizar pagamentos sob ameaça e, caso haja tentativa de extorsão, reunir as evidências disponíveis e registrar um boletim de ocorrência. Em um cenário de golpes cada vez mais sofisticados, a informação e a cautela continuam sendo as principais formas de prevenção.







