Quando o mundo vira cena: Espetáculo gratuito mistura arte, filosofia e tecnologia para refletir sobre o futuro do planeta, de 24 a 27 de abril, na Casa da Música Sônia Cabral
Se o fim do mundo tivesse trilha sonora, talvez fosse um misto de silêncio, batida eletrônica e um suspiro coletivo. Dramático? Um pouco. Necessário? Bastante. É nesse clima entre poesia e alerta que estreia, em Vitória, o espetáculo “Terra que Acaba”, da Cia Teatro Urgente. E não, não é só mais uma peça. É quase um convite para encarar o espelho… e ver o planeta refletido ali.
Em cartaz entre os dias 24 e 27 de abril, na Casa da Música Sônia Cabral, a montagem dirigida por Marcelo Ferreira aposta em uma experiência cênica imersiva, cruzando teatro, dança, artes visuais e videomapping. Resultado? Um espetáculo que não se assiste apenas com os olhos, mas com o corpo inteiro.
Inspirado no pensamento do antropólogo Claude Lévi-Strauss e nas reflexões do líder indígena Ailton Krenak, especialmente em sua obra Ideias para adiar o fim do mundo, a peça parte de uma provocação poderosa: “O mundo começou sem o homem e terminará sem ele”. Não é exatamente o tipo de frase que você coloca num bolo de aniversário, mas funciona muito bem no palco.
A dramaturgia foge da narrativa tradicional e mergulha no teatro pós-dramático, onde imagens, sons e movimentos constroem sentidos mais do que contam histórias lineares. O elenco, que inclui Daniel Monjardim, Ogara e o próprio Marcelo Ferreira, conduz o público por uma jornada entre o ancestral e o distópico.
A trilha sonora, com destaque para a voz da cantora Ilus, ajuda a criar uma atmosfera quase hipnótica. Já o videomapping, assinado pela PixxFluxx, transforma o palco em um organismo vivo. É como se o cenário respirasse… e às vezes faltasse ar.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas, a crise climática já afeta bilhões de pessoas no mundo, tornando urgente a discussão em diferentes linguagens, inclusive na arte. E aqui vai uma verdade simples: quando a ciência grita e ninguém ouve, a arte sussurra… e às vezes ecoa mais longe.
Financiado pelo Funcultura, com apoio da Secult, o espetáculo reforça o papel das políticas públicas na promoção de obras que dialogam com temas contemporâneos. Mais do que entretenimento, “Terra que Acaba” se posiciona como um espaço de reflexão coletiva.
E convenhamos: discutir o fim do mundo em uma sala escura, com desconhecidos, pode ser mais confortável do que encarar o noticiário sozinho no celular.
“Terra que Acaba” não oferece respostas fáceis. E talvez esse seja seu maior acerto. Em vez disso, deixa perguntas no ar, como quem planta sementes no concreto. Se o mundo está mesmo em transformação, a questão não é só quando ele muda… mas quem a gente escolhe ser durante essa mudança. E aí, vai assistir ou vai esperar o planeta dar spoiler?
Serviço
Evento: Espetáculo “Terra que Acaba”
Local: Casa da Música Sônia Cabral (Praça João Clímaco, Cidade Alta, Vitória ES)
Datas e horários:
24 e 25 de abril às 19h30
26 de abril às 17h e 19h30
27 de abril às 10h30
Entrada: gratuita (retirada 1 hora antes na bilheteria)
Duração: 50 minutos
Classificação: 18 anos
Acessibilidade: sessões com audiodescrição e intérprete de Libras
Importante: não será permitida entrada após o início







