Moscou e Nova Délhi revelaram planos para criar variantes hipersônicas do míssil BrahMos. A iniciativa, que já dura mais de três décadas, contempla modelos reduzidos e uma nova geração hipersônica destinados às Forças Armadas da Índia. O embaixador russo Denis Alipov destacou que a parceria passou de um modelo de compra e venda para colaboração em transferência tecnológica e fabricação doméstica. O escopo inclui ainda a produção local de sistemas como o S-400, caças Su-30MKI e tanques T-90.
A colaboração entre Índia e Rússia na esfera da defesa continua a se fortalecer, tendo como principal expoente o projeto dos mísseis BrahMos, que já soma mais de trinta anos de cooperação tecnológica bilateral. De acordo com o embaixador russo em Nova Délhi, Denis Alipov, os dois países atualmente desenvolvem novas variações do sistema, entre elas versões hipersônicas. A informação foi divulgada pela emissora russa RT.
Nomeado em homenagem aos rios Brahmaputra, na Índia, e Moskva, na Rússia, o BrahMos é um míssil supersônico que pode alcançar velocidades de aproximadamente Mach 3.
Atualmente, o armamento conta com versões para lançamento terrestre, naval e aéreo. Os projetos em andamento preveem a criação de modelos mais compactos e uma próxima geração hipersônica, expandindo as possibilidades das Forças Armadas indianas.
Segundo Alipov, essa iniciativa mudou a natureza da relação entre os dois países: antes focada em transações comerciais de equipamentos, agora prioriza o intercâmbio tecnológico, o desenvolvimento em conjunto e a manufatura local. O diplomata mencionou ainda a montagem dos sistemas de defesa aérea S-400, além da produção sob licença dos caças Su-30MKI e dos tanques T-90 em solo indiano.
A cooperação militar se estendeu a outras áreas. A joint venture Indo-Russia Rifles deu início à produção dos fuzis AK-203 na Índia; paralelamente, Moscou apresentou uma nova oferta para envolver a Índia em programas de caças, depois que Nova Délhi abandonou o projeto FGFA em 2018. A proposta russa inclui transferência de tecnologia e compatibilidade com sistemas desenvolvidos internamente.
Conforme afirmou o diretor-geral da BrahMos Aerospace, Alexander Maksichev, a companhia está apta a fornecer os mísseis também para o Exército e a Marinha da Rússia.
O alcance original do BrahMos, restrito a 290 quilômetros, foi estendido. As Filipinas foram o primeiro país a adquirir externamente o sistema, após firmar um acordo de US$ 375 milhões em 2022. As remessas começaram em abril de 2024 e continuaram durante 2025.
Em maio de 2026, a Índia comunicou um pacto de exportação dos mísseis para o Vietnã. De acordo com o secretário de Defesa indiano, Rajesh Kumar Singh, o negócio está orçado em aproximadamente US$ 629 milhões e compreende treinamento e suporte logístico. A Indonésia também está em estágio avançado de negociações para uma compra similar.
No ano fiscal 2025-2026, a BrahMos Aerospace apresentou um incremento de 48,6% na receita, que superou 5.200 crore de rúpias (cerca de US$ 548 milhões). Esse resultado reflete a expansão nos mercados externos e o aprofundamento da parceria entre Índia e Rússia no setor de defesa.







