O ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como o banco do Brics, Marcos Troyjo, considera que a solução do impasse tarifário entre Brasil e Estados Unidos exige não somente o pragmatismo econômico, mas também um forte peso da política nas negociações.
O economista avalia que a relação bilateral entre os dois países se encontra atualmente politizada.
“Não me recordo de um período em que as duas maiores democracias estivessem tão distantes”, declarou Troyjo durante um evento com autoridades e economistas realizado em São Paulo.
No encontro, os especialistas debateram o possível novo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil. O governo de Donald Trump investiga o país com base na Seção 301, instrumento que prevê a aplicação de alíquotas sobre as exportações brasileiras destinadas ao território americano.
O governo norte-americano tem até o dia 15 de julho para tomar uma decisão sobre a definição e implementação da proposta, que passará por consultas públicas e audiências antes de ser aprovada.
O ex-presidente do Banco do Brics ressaltou a importância de evitar impactos no fluxo de investimentos entre as duas economias.
Avaliação de economistas e riscos de escalada
Durante o evento, os economistas avaliaram que o impacto desse novo tarifaço tende a ser menor, mas alertaram para o perigo de uma escalada, especialmente em um cenário no qual o Brasil adote a política da reciprocidade.
Quem reforçou essa posição foi Cassiana Fernandes, economista-chefe para a América Latina do J.P. Morgan.
“Precisamos reduzir as fricções sem prejudicar o investimento direto no país. […] O principal risco para o Brasil é a escalada. Estamos negociando, mas [o Brasil] também se coloca no direito de anunciar medidas retaliatórias contra os EUA; esse é o risco que enxergamos”, afirmou.






