Irã propõe ao BRICS+ redes confiáveis de computação

Durante o Fórum de Inovação em Redes Futuras do BRICS 2026, realizado nos dias 16 e 17 de junho em Shenzhen, na China, o Irã submeteu ao BRICS+ uma proposta para a criação de uma estrutura de cooperação voltada ao desenvolvimento de redes confiáveis de poder computacional.

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O representante iraniano Mohammad-Hossein Sheikhi, servidor do Ministério das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) do Irã, sustentou que conectividade e largura de banda, apesar de fundamentais, já não bastam para suprir as necessidades emergentes da era digital.

Sheikhi defendeu que tecnologias como inteligência artificial (IA), Internet das Coisas (IoT) industrial, sistemas inteligentes de logística e energia, tecnologias financeiras modernas e plataformas digitais requerem infraestruturas integradas, inteligentes e confiáveis. Ele enfatizou que as redes do futuro não devem ser encaradas meramente como canais de transmissão de dados, mas como uma base para interligar redes, disponibilizar capacidade computacional, assegurar o fluxo seguro de informações e fomentar a confiança digital.

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O conceito central da proposta iraniana é o de “redes de poder computacional confiáveis”, que devem amparar aplicações industriais e ecossistemas interativos. O Irã destacou suas competências nos setores de energia, transportes, TIC, tecnologias financeiras e cibersegurança, além do crescente potencial científico e acadêmico, como ativos para contribuir de forma operacional e estratégica com a agenda conjunta do BRICS+.

Sheikhi salientou que a parceria BRICS Plus precisa funcionar como uma plataforma prática de cooperação entre países interessados, centros de pesquisa, universidades, indústrias e parceiros tecnológicos. O modelo proposto se estrutura em quatro eixos: infraestrutura confiável, geração de valor industrial, interações e padrões digitais, e confiança digital.

O representante iraniano foi além da troca de relatórios e pareceres, solicitando que a cooperação do BRICS+ avance para a execução de projetos conjuntos, criação de ambientes de teste, desenvolvimento de aprendizado técnico e aplicações industriais. A intenção é que o bloco deixe de ser apenas um espaço de debates e se converta em um motor de inovação prática.

O fórum foi organizado sob a orientação do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) e coorganizado pelo Escritório Municipal de Indústria e Tecnologia da Informação de Shenzhen, pela Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicação (CAICT) e pelo Instituto BRICS de Redes Futuras. O evento reuniu especialistas e autoridades dos países-membros para debater o futuro da infraestrutura digital.

A movimentação do Irã no âmbito do BRICS+ reforça a busca por soberania tecnológica e integração de capacidades do Sul Global, em um contexto de intensificação da competição geopolítica por infraestruturas digitais e inteligência artificial. Ao propor a construção conjunta de redes de computação confiáveis, Teerã sinaliza sua disposição para liderar iniciativas que combinem desenvolvimento industrial e autonomia estratégica dentro do bloco.

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