O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste domingo (24) que, caso venha a firmar um pacto com o Irã, este será distinto do celebrado durante a gestão do ex-presidente Barack Obama. Ele declarou que o acordo “será exatamente o contrário, mas ninguém o viu ou conhece seus termos”.
Em uma postagem em sua plataforma Truth Social, Trump escreveu: “Se eu selar um acordo com o Irã, será um pacto bom e apropriado, diferente do firmado por Obama”. Ele argumentou que o acordo anterior ofereceu ao país persa “um caminho claro e aberto para obter armas nucleares”.
Embora tenha enfatizado que seu tratado será muito diverso do Plano de Ação Conjunto Global negociado na era Obama e reforçado que será “exatamente o oposto”, o republicano destacou que ninguém tem ciência de todos os pormenores e que o documento “ainda não foi sequer completamente negociado”.
“Nosso acordo é exatamente o contrário, mas ninguém o viu, nem sabe do que se trata. Ainda nem foi totalmente negociado. Portanto, não deem ouvidos aos perdedores, que criticam algo que desconhecem completamente. Ao contrário daqueles que me antecederam e que deveriam ter resolvido este problema há muitos anos, eu não faço maus negócios!”, completou Trump.
Programa nuclear no centro da disputa
O mandatário norte-americano, Donald Trump, tem reiterado constantemente que o Irã não pode ser permitido a possuir um artefato nuclear. A Casa Branca chegou a publicar, em 2 de março, um documento intitulado “74 vezes em que o presidente Trump deixou claro que o Irã não pode ter uma arma nuclear”, e desde então ele repetiu essa posição inúmeras vezes.
Com essa meta, negociadores dos EUA buscaram impor limites rigorosos à capacidade iraniana de enriquecer urânio, além da entrega de seu atual estoque de urânio altamente enriquecido. Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o país possui 408 quilos de urânio enriquecido a 60% — patamar próximo ao necessário para a fabricação de armas nucleares.
O Irã sempre sustentou que não almeja desenvolver uma ogiva nuclear e, como integrante do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), alega ter o direito de enriquecer urânio para finalidades pacíficas. Tanto nas conversas com os Estados Unidos no ano passado quanto desde o início do conflito em fevereiro, Teerã resistiu a uma interrupção prolongada do enriquecimento.
No mês anterior, negociadores norte-americanos sugeriram uma pausa de 20 anos, conforme informou uma fonte próxima às tratativas. O Irã respondeu com uma proposta de paralisação de cinco anos, que foi rejeitada pelos EUA, segundo uma autoridade americana. Além disso, o país persa se opôs a enviar seu urânio enriquecido para o exterior, como exigido por Washington. Veículos de mídia iranianos ligados ao Estado insistem que um eventual documento para encerrar a guerra não incluiria a entrega dos estoques, adiando as discussões nucleares para depois do fim do conflito.
Essas negociações estavam em curso em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel deram início a ataques militares contra o Irã.







