Uma enfermidade considerada eliminada há aproximadamente três décadas voltou a contaminar indivíduos e resultou em duas mortes além de 141 ocorrências confirmadas em Honduras. O surto é causado pela mosca-varejeira, cujas larvas se proliferam no interior da pele humana.
Os casos estão concentrados em Tegucigalpa, incluindo comunidades da capital hondurenha. Os dois óbitos envolveram idosos que apresentavam complicações relacionadas à infestação.
A condição é chamada de miíase, popularmente conhecida como berne. O inseto coloca seus ovos em lesões expostas. Quando as larvas nascem, elas começam a consumir o tecido, causando ferimentos graves e dolorosos.
A disseminação em regiões urbanas gerou preocupação nas autoridades de saúde. Indivíduos com lesões crônicas, como úlceras, pé diabético e distúrbios circulatórios, estão entre os mais suscetíveis.
Até 1996, Honduras era considerada livre desse tipo de contaminação. O reaparecimento após décadas motivou o fortalecimento da vigilância sanitária.
Infecção também atinge animais
O surto não afeta apenas os seres humanos. Aproximadamente 4.656 animais foram contaminados neste ano, conforme o Serviço Nacional de Saúde e Segurança Agroalimentar.
A maior parte dos casos ocorre em bovinos, que representam cerca de 75% das infestações. Também foram identificados registros em porcos, cães, equinos, caprinos, ovinos e aves.
Além dos gastos com tratamento, os criadores enfrentam redução na produtividade e desvalorização dos animais.
Processo de contaminação
A mosca deposita ovos diretamente em ferimentos abertos de animais ou pessoas. Após a eclosão, as larvas se alimentam do tecido vivo.
Em humanos, as infecções costumam afetar principalmente as pernas. Na ausência de tratamento ágil, a contaminação pode se agravar e resultar em óbito.
As autoridades orientam a manter ferimentos limpos, monitorar sinais cutâneos e buscar assistência médica ao notar qualquer alteração.







