Papa: cristãos e muçulmanos devem transformar indiferença em solidariedade

A compaixão foi o eixo central da fala do Pontífice dirigida aos integrantes do Instituto Real para Estudos Inter-religiosos, estabelecido em 1994 em Amã, na Jordânia, sob o patrocínio de Sua Alteza Real, o Príncipe El Hassan bin Talal. A iniciativa busca proporcionar um ambiente dedicado ao estudo interdisciplinar de questões interculturais e inter-religiosas, com a finalidade de reduzir tensões e fomentar a paz, tanto no âmbito regional quanto mundial. Desde sua fundação, o instituto mantém diálogos com o Dicastério para o Diálogo Inter-religioso.

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Vatican News

O Papa recebeu em audiência os participantes do oitavo colóquio organizado de forma conjunta pelo Dicastério para o Diálogo Inter-religioso e pelo Instituto Real de Estudos Inter-religiosos.

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O tema selecionado para este ano no encontro é “Compaixão humana e empatia nos tempos modernos”. Para o Pontífice, a escolha é especialmente relevante para o cenário mundial atual. “De fato, não se trata de sentimentos marginais, mas de atitudes essenciais em ambas as nossas tradições religiosas e de aspectos importantes do que significa viver uma vida verdadeiramente humana”, afirmou.

Durante seu discurso, Leão XIV abordou a forma como as duas tradições religiosas compreendem a compaixão e a empatia. Essas virtudes não são algo adicional ou opcional, mas um chamado divino para que sua bondade seja refletida no cotidiano. O que distingue os cristãos é a figura de Jesus Cristo, no qual essa compaixão divina se torna visível e concreta. “Deus vai além de ver e ouvir, assumindo a nossa natureza humana para se tornar a encarnação viva da compaixão. Seguindo o exemplo de Jesus, a compaixão cristã torna-se uma partilha ou um ‘sofrer com’ os outros, particularmente os mais desfavorecidos. Por essa razão, ‘o amor aos pobres — qualquer que seja a forma que a sua pobreza assuma — é a marca evangélica de uma Igreja fiel ao coração de Deus’”, explicou o Papa.

Essa convicção, portanto, gera desdobramentos sociais, conforme prosseguiu o Pontífice. Ele expressou sua admiração pelos esforços do Reino Hachemita da Jordânia em acolher refugiados e amparar os necessitados em situações adversas. Em seguida, fez uma advertência:

“Queridos amigos, a compaixão e a empatia correm, infelizmente, o risco de desaparecer hoje. Os avanços tecnológicos tornaram-nos mais conectados do que nunca, mas também podem levar à indiferença. O fluxo constante de imagens e vídeos das dificuldades alheias pode entorpecer nossos corações, em vez de comovê-los. (…) Esse tipo de apatia está se tornando um dos mais sérios desafios espirituais do nosso tempo.”

Nesse cenário, cristãos e muçulmanos são convocados a uma missão conjunta: reavivar a humanidade onde ela se enfraqueceu, dar voz aos que sofrem e converter a indiferença em solidariedade. “A compaixão e a empatia podem ser nossos instrumentos, pois têm o poder de restaurar a dignidade do outro. Espero que a Jordânia continue a ser uma testemunha viva desse tipo de compaixão, bem como um sinal de diálogo, solidariedade e esperança, numa região marcada por provações”, concluiu o Papa. Ele fez votos de que a colaboração mútua se transforme em gestos concretos de paz, empatia e fraternidade.

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