País da Ásia Central oficializa adesão ao banco de fomento do bloco
O governo do Uzbequistão oficializou, nesta semana, junto ao Conselho de Governadores, o acordo para integrar o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como “Banco dos BRICS”. A instituição financeira foi criada pelos países do bloco com o propósito de financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável no Sul Global.
Após ser ratificado pelo parlamento uzbeque, o acordo eleva para 13 o número total de membros associados à instituição, cuja sede fica em Xangai. Desses, cinco são fundadores (Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul) e seis foram adicionados recentemente: Emirados Árabes Unidos, Bangladesh, Egito, Argélia, Colômbia e o Uzbequistão.
Localizado na Ásia Central, ponto estratégico para a Rota da Seda, o país é um dos maiores detentores mundiais de reservas auríferas. Conforme o Banco Central uzbeque, os ativos em ouro são estimados em aproximadamente US$ 65 bilhões, o equivalente a cerca de 415 toneladas físicas do metal.
Atualmente, o ouro representa cerca de 85% do total das reservas internacionais do país, que já superam a marca histórica de US$ 75 bilhões.
Além de ser um grande detentor de ouro, o Uzbequistão figura entre os dez maiores produtores globais do minério. A produção anual é de aproximadamente 130 toneladas, com a atividade extrativa concentrada sob o monopólio da estatal Navoi Mining & Metallurgical Company.
Essa estatal opera algumas das maiores minas auríferas da Eurásia, como a mina de Muruntau, localizada no sudoeste do deserto de Kyzylkum. Estudos geológicos frequentemente a apontam como uma das maiores minas de ouro a céu aberto do planeta.
Estratégia de proteção monetária com ouro
A conduta do Banco Central do Uzbequistão segue uma tendência observada em várias economias emergentes: ampliar o peso do ouro como instrumento de proteção monetária diante de instabilidades cambiais, inflação internacional e tensões geopolíticas.
De acordo com o World Gold Council, os bancos centrais vêm intensificando as compras de ouro desde a crise financeira de 2008. Essa mudança gradual está ligada a um processo de desdolarização controlada, que busca ativos menos expostos a turbulências geopolíticas no sistema financeiro global.
No caso uzbeque, o ouro já funciona como um pilar da estabilidade econômica. O metal é vendido no mercado internacional para recuperar a liquidez em moeda estrangeira quando necessário.
Países altamente dependentes da exportação de commodities do setor primário costumam utilizar reservas de ouro para atenuar a volatilidade dos preços globais.
Modernização econômica e projetos financiados pelo NDB
A adesão do Uzbequistão ao NDB ocorre em meio ao esforço governamental para acelerar a modernização econômica do país. Autoridades de Tashkent afirmam que o principal objetivo da integração é expandir o acesso a financiamento externo para áreas como infraestrutura, irrigação, mineração, energia e projetos sociais.
O país já negocia um portfólio de projetos avaliado em aproximadamente US$ 4,5 bilhões junto ao banco. Os setores prioritários incluem a modernização dos sistemas nacionais de irrigação, da infraestrutura logística e do setor energético.
A aproximação ganhou impulso após reuniões entre o presidente uzbeque, Shavkat Mirziyoyev, e a presidente do NDB, Dilma Rousseff, em 2025.
O NDB é a principal estratégia para reduzir a dependência histórica de instituições financeiras convencionais, como o FMI e o Banco Mundial.
As volumosas reservas de ouro podem contribuir para estabilizar a margem cambial do país enquanto ele busca implementar políticas industriais expansivas.







