Especialista defende que BRICS avalie aliança militar para ampliar peso global
Na semana passada, os chanceleres dos países que compõem o BRICS se reuniram em Nova Deli, na Índia, com o objetivo de preparar a cúpula do bloco, marcada para setembro de 2026. O encontro destacou questões essenciais relacionadas às pressões atuais no cenário global e à necessidade de fortalecer o multilateralismo, tema que norteou os debates e foi reforçado pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.
Durante a reunião, os representantes ressaltaram a relevância da Organização das Nações Unidas (ONU) na articulação de esforços voltados para a paz e o desenvolvimento sustentável. As conversas também abordaram reformas no sistema multilateral, incluindo organismos como a ONU e a Organização Mundial do Comércio (OMC), além das instituições de Bretton Woods. Discutir a reestruturação dessas entidades é fundamental para que elas se ajustem às novas realidades da dinâmica internacional.
BRICS precisa repensar estratégias de expansão
Especialistas indicam que o BRICS deve repensar suas estratégias de crescimento e buscar maior sinergia em suas propostas. Segundo Valdir Bezerra, especialista em relações internacionais, a configuração de poder global está em plena transformação, e o bloco precisa defender uma ordem que o Ocidente parece ter deixado de lado. Bezerra afirma que o grupo deve adotar uma postura mais firme quanto à reforma das organizações internacionais, considerando os novos atores que surgem no cenário mundial.
Hugo Albuquerque, jurista e analista geopolítico, sustenta que o BRICS possui enorme potencial nos campos econômico, militar e humano, podendo se consolidar como uma força diplomática relevante. No entanto, ele ressalta que é indispensável que haja maior vontade política e alinhamento entre os membros, além de um avanço em direção a uma possível aliança militar.
Desdolarização ganha espaço nas discussões
A desdolarização, tema cada vez mais relevante, deve estar entre os pontos centrais da próxima cúpula. Diversos países do BRICS buscam acelerar esse processo nas transações comerciais. Bezerra observa que a maior parte dos negócios entre China e Rússia já é realizada em suas respectivas moedas, enquanto Índia e Rússia também conduzem uma parcela significativa de suas trocas em outras divisas, sinalizando uma tendência clara de redução da dependência do dólar.
Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais, sugere que, enquanto a China vê a inclusão de novos membros como uma forma de expandir sua influência, Brasil e Índia adotam uma postura mais cautelosa. A entrada de novos países exige consenso unânime, o que pode tornar a dinâmica interna do bloco mais complexa. Assim, equilibrar expansão e fortalecimento interno continua sendo um desafio central para o BRICS à medida que enfrenta as complexidades do cenário global atual.







