O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu nesta terça-feira (12) que a resposta do Irã à proposta dos Estados Unidos precisa ser acolhida em sua forma original. Do contrário, as conversas para encerrar o conflito de maneira permanente estarão fadadas ao fracasso.
“Não existe alternativa a não ser reconhecer os direitos do povo iraniano, exatamente conforme definidos na proposta de 14 pontos. Qualquer outra postura será improdutiva e resultará apenas em uma sequência de insucessos”, declarou Ghalibaf em sua conta na plataforma X.
Dirigindo-se à equipe de negociação americana, Ghalibaf alertou que “quanto mais adiarem a decisão, mais os contribuintes dos Estados Unidos arcarão com os custos”.
Reação de Trump
As afirmações do representante iraniano ocorrem um dia após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter classificado a proposta iraniana como algo “para ser jogado no lixo”.
“O cessar-fogo está em estado crítico, como quando o médico entra e anuncia: ‘Senhor, seu familiar próximo tem 1% de chance de sobreviver’”, afirmou Trump durante coletiva na Casa Branca, na segunda-feira (11).
“Diria que está no ponto mais frágil agora, depois de ler aquela porcaria que nos enviaram”, acrescentou. “É uma proposta absurda e ninguém a aceitaria”.
Exigências de Teerã
O teor da proposta inicial de Washington, à qual o Irã respondeu, não veio a público. De acordo com alguns veículos de imprensa, o documento contém um protocolo de uma página para interromper os combates e instituir uma base para negociações sobre a questão nuclear.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Irã, em sua contraproposta o país persa solicita o término imediato das hostilidades na zona, englobando o Líbano, onde Israel ainda enfrenta o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã, bem como o fim do bloqueio de seus portos pela Marinha dos Estados Unidos.
O Irã também demanda a liberação dos ativos iranianos retidos no exterior, que há bastante tempo são alvo de sanções norte-americanas.
Nesta terça-feira, o porta-voz do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, advertiu que o país pode enriquecer urânio a 90% de pureza – patamar considerado suficiente para fins militares, na hipótese de o Irã sofrer um novo ataque.







