O publicitário, filmmaker e fotógrafo Heitor Delpupo Alves, natural de Venda Nova do Imigrante, embarcou em uma travessia transatlântica a bordo do veleiro científico Malizia Explorer, que navega entre a Antártica e a Europa. O capixaba integra a produção de um documentário focado na preservação dos oceanos e nas pesquisas ambientais realizadas durante a jornada.
O convite surgiu de maneira surpreendente. Uma amiga fotógrafa, Juliana Mota, fundadora do Nas Marés, com quem Heitor já havia colaborado anteriormente, o contatou para saber se ele teria interesse em cruzar o Atlântico em um veleiro. Passados poucos dias, o filmmaker já estava em Fernando de Noronha para iniciar os preparativos da expedição.
“Na segunda-feira passada, eu estava em casa e, de repente, surgiu esse convite para atravessar o Atlântico. Conversamos, fizeram uma reunião comigo e eu aceitei na hora”, contou Heitor.
A embarcação partiu na última segunda-feira (4). Antes da saída, a equipe realizou reuniões e alinhamentos sobre o projeto, que reúne pesquisadores, cientistas e velejadores de diferentes nacionalidades.
A expedição faz parte de uma iniciativa voltada à preservação dos oceanos. O projeto congrega especialistas que investigam temas como plâncton, correntes marinhas, microplásticos e impactos ambientais nas águas oceânicas. A produção audiovisual também abordará as ilhas oceânicas brasileiras e a relação desses territórios com as mudanças climáticas.
Os locais estudados
Entre os locais estudados estão Fernando de Noronha, Trindade e Martim Vaz, Atol das Rocas e São Pedro e São Paulo. As ilhas de Trindade e Martim Vaz possuem ligação direta com o Espírito Santo, tema que também deve aparecer no documentário.
“A proposta do documentário é falar sobre as ilhas oceânicas, as correntes marítimas e também sobre o plástico no oceano. É um projeto totalmente voltado para a preservação ambiental”, explicou.
A viagem ocorre em um barco de pesquisa científica que realiza trajetos entre regiões polares e a Europa. A embarcação esteve recentemente na Antártica e agora segue rumo à França, país onde se localiza a base do veleiro.
Além de Heitor, a equipe conta com pesquisadores especializados em oceanografia e preservação marinha. O grupo também produz registros audiovisuais sobre os impactos da poluição por plástico no oceano e os efeitos das correntes marítimas ao redor das ilhas oceânicas brasileiras.
Segundo Heitor, a equipe passou por Fernando de Noronha antes de iniciar oficialmente a travessia internacional. Ao longo do percurso, ele auxilia na produção das imagens e no desenvolvimento do documentário ao lado da fotógrafa Maria, responsável pela cobertura audiovisual do projeto.
“Tem cientistas estudando plâncton, microplástico, sargaço e vários outros temas ligados ao oceano. É um barco de pesquisa mesmo, com pessoas do mundo inteiro envolvidas”, destacou.
A iniciativa
A iniciativa também conta com apoio de velejadores internacionais ligados a projetos ambientais. Entre eles está o alemão Boris Herrmann, conhecido no cenário mundial da vela e envolvido em ações voltadas à conscientização ambiental e à preservação dos oceanos.
Mais do que registrar paisagens, a expedição pretende ampliar o debate sobre a conservação marinha. O documentário deve conectar pesquisas científicas e histórias humanas para mostrar como questões ambientais globais impactam diretamente o litoral brasileiro e capixaba.
“É uma experiência muito diferente. Saímos do Brasil e ainda temos muitos dias de viagem pela frente até chegar à França”, relatou Heitor.







