O fortalecimento do ecossistema de ciência, tecnologia e inovação entre os países do Brics, juntamente com o incentivo ao protagonismo da juventude no cenário da inovação, constituem os principais pilares da agenda do bloco para o futuro próximo. Essas prioridades foram apresentadas durante a 45ª Reunião do Comitê Gestor de CT&I, que contou com a participação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
A reunião virtual, que deu início à presidência indiana, apresentou uma nota conceitual delineando as diretrizes para o período. Para além dos dois eixos centrais, o documento também trata do estímulo à cooperação entre as nações, do progresso em áreas emergentes do conhecimento e da consolidação da atuação do Brics no campo da ciência, tecnologia e inovação no Sul Global.
Outro ponto em discussão é o projeto de criação de uma rede de comunicação de alta velocidade por meio de um cabo submarino conectando os países do Brics. A iniciativa visa ampliar a autonomia digital e a capacidade de conectividade entre os membros do grupo. A proposta, apresentada durante a presidência brasileira, segue em análise técnica e econômica, além de articulações para a captação de recursos necessários.
Avanços da presidência brasileira
O encontro também revisitou os resultados obtidos em 2025, quando o Brasil liderou a presidência do grupo. Naquele período, foram realizados mais de 60 encontros, tanto presenciais quanto virtuais, com a participação de gestores públicos, pesquisadores, especialistas e jovens cientistas.
As atividades abordaram uma variedade de temas, incluindo:
- Inteligência artificial
- Biotecnologia
- Nanotecnologia
- Ciência dos oceanos
- Monitoramento de desastres naturais
- Computação de alto desempenho
Sob a coordenação da ministra Luciana Santos, uma reunião em Brasília, em junho de 2025, resultou na construção de um novo Plano de Ação para Inovação no Brics.
Chamadas conjuntas e financiamento
Um dos marcos da presidência brasileira foi o progresso na cooperação em inovação industrial. Como fruto desse esforço, os países lançaram a primeira chamada conjunta para projetos de inovação, direcionada a empresas e instituições científicas e tecnológicas. Os resultados dessa chamada estão previstos para serem divulgados no primeiro semestre de 2026.
AvANÇARAM, igualmente, as articulações para novas chamadas internacionais, com ênfase em pesquisa e projetos estratégicos. No Brasil, o financiamento e a execução dessas iniciativas envolvem a atuação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e da Financiadora de Estudos e Projetos.
Para o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do MCTI, Carlos Matsumoto, a cooperação no Brics é fruto de mais de uma década de articulação entre as nações. Ele destacou que a agenda em ciência, tecnologia e inovação se consolidou como uma das mais relevantes desse agrupamento, que agora integra 11 países.






