Férias em casa ou viajando: qual opção favorece mais o descanso?

Muitas pessoas optam por viajar e descobrir novos destinos durante as férias, ao passo que outras preferem permanecer em casa, seja para aproveitar a companhia da família, seja pelo conforto do próprio ambiente. Diante dessas possibilidades, surge a dúvida: qual das duas alternativas proporciona maior sensação de descanso?

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Segundo Diogo Haddad, líder do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o período de férias é relevante para a saúde do cérebro. Isso porque o órgão não opera de forma ideal quando permanece em um ciclo contínuo de cobranças, prazos e atenção direcionada.

“Um período mais longo de descanso possibilita romper esse ciclo. Existe a oportunidade de regularizar o sono, reduzir a exposição constante aos estressores e recuperar recursos de atenção e disposição mental. Isso é diferente de apenas descansar algumas horas no fim de semana”, afirma Haddad.

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“Não quer dizer que o cérebro precise ser ‘desligado’, até porque ele jamais fica realmente inativo, mas sim que necessita de momentos em que não esteja permanentemente submetido às mesmas exigências cognitivas”, prossegue o neurologista.

Haddad também reforça que as férias, por si só, não constituem tratamento para esgotamento ou transtornos ligados ao estresse. “Quando alguém chega às férias totalmente exausto e logo retorna ao mesmo estado depois delas, talvez seja o caso de olhar para a organização do próprio trabalho e para a saúde física e mental”, sugere.

Viajar ou ficar em casa?

As viagens, conforme Haddad, podem proporcionar uma quebra de rotina, algo relevante para o cérebro, uma vez que oferecem maior distanciamento do trabalho.

Ainda assim, Veruska Vasconcelos, coordenadora de psicologia do Hospital Alvorada Moema, da Rede Américas, ressalta que a experiência pode envolver gastos, deslocamentos sucessivos e uma programação desgastante. Nesses casos, o que deveria ser fonte de relaxamento acaba virando motivo de estresse.

“O que mais importa é dispor de oportunidades reais de descanso, atividades agradáveis e certo afastamento das demandas de trabalho”, destaca a psicóloga.

Permanecer em casa também apresenta benefícios, de acordo com os especialistas. Essa opção permite dormir melhor, cozinhar com calma, encontrar amigos, ler, ouvir música… Mas é preciso ficar atento a alguns pontos.

“Para quem cuida dos filhos ou de outros familiares, é importante reconhecer que estar em casa nem sempre significa descansar. Se for possível dividir os cuidados e reservar algum tempo para si, mesmo que breve, a pessoa tem mais chance de sentir que também teve férias”, orienta Veruska.

Haddad cita ainda outro cuidado: não transformar as férias em casa em uma extensão do trabalho. “Se a pessoa passa o dia respondendo a e-mails profissionais, acompanhando grupos de trabalho e resolvendo pendências, o cérebro continua exposto a grande parte das mesmas demandas das quais deveria estar se afastando”, pontua.

Uso de telas

Ficar em casa propicia um uso maior de telas, mas isso não precisa ser encarado como algo negativo. “Assistir a um filme, jogar videogame ou conversar com alguém pelo celular também pode ser lazer”, diz Haddad.

O problema aparece quando a pessoa passa a ocupar o tempo livre com um consumo digital contínuo, alternando entre redes sociais, vídeos curtos, notificações e mensagens.

“Esse padrão pode dificultar a desconexão, prolongar hábitos de atenção muito fragmentada e, sobretudo quando ocorre à noite, interferir no sono. Há ainda um efeito indireto importante: quanto mais horas permanecemos diante das telas, menos tempo sobra para atividade física, convivência presencial, exposição à luz natural e outras experiências”, aponta o neurologista.

A volta ao trabalho

O descanso é importante e permite mais concentração no retorno ao trabalho, porém os efeitos são limitados se a pessoa voltar e se deparar com altos níveis de sobrecarga, afirma Veruska. A rotina de trabalho precisa ser sustentável, ensina a psicóloga.

Na mesma linha, Haddad entende que as férias não devem ser vistas unicamente como uma ferramenta para produzir mais. “Descansar é uma necessidade humana e faz parte da manutenção da saúde. A melhora de concentração, disposição e desempenho na volta ao trabalho pode ser uma consequência disso, mas não precisa ser a justificativa para que alguém tenha direito a descansar.”

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Redação
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