Você passa o dia ocupado, mas sente dificuldade para se concentrar? O uso frequente de telas e o excesso de notificações deslocam a atenção rapidamente e comprometem a memória. Saiba como essa rotina digital modifica o cérebro e veja 10 medidas práticas indicadas por neurologistas para retomar o foco sem precisar abrir mão da tecnologia.
O uso excessivo de telas compromete a cognição ao fragmentar a atenção e sobrecarregar o cérebro com estímulos constantes. A troca frequente entre notificações enfraquece a concentração profunda e reduz a eficácia da memória de trabalho, o que dificulta a consolidação de informações no longo prazo. Esse bombardeio digital contínuo, somado à piora do sono provocada pela luz azul, afeta a neuroplasticidade e favorece a fadiga mental, tornando o raciocínio e o aprendizado mais superficiais.
O celular está presente em quase todas as atividades do dia. Ele permanece ao lado durante o trabalho, interrompe as refeições e costuma ser o último estímulo antes de dormir. Notificações, vídeos curtos e redes sociais competem pela atenção do cérebro. Como consequência, ficar alguns minutos longe das telas virou um grande desafio.
De acordo com levantamento da NordVPN, o brasileiro passa aproximadamente 52 anos conectado à internet. As interrupções diárias, por sua vez, prejudicam o foco. Um estudo de 2026 publicado na revista Computers in Human Behavior revela que notificações de redes sociais desaceleram o processamento mental durante as tarefas cotidianas.
Essa alternância constante explica a sensação diária de estar sempre ocupado, mas sem conseguir concluir o que foi iniciado.
Multitarefa ou atenção dividida?
Muitas pessoas acreditam que responder mensagens enquanto assistem a vídeos é uma habilidade multitarefa. No entanto, Cláudia Ortiz, médica neurologista do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, explica que a mente humana não processa esses estímulos de forma simultânea.
“Nosso cérebro não foi feito para processar vários estímulos importantes ao mesmo tempo. Nós apenas alternamos rapidamente a atenção entre diferentes tarefas”, alerta a médica.
Essa troca constante exige interromper um raciocínio para se concentrar em outro. O processo gera cansaço mental e demanda um esforço maior para retomar o ponto inicial.
Sinais de que o excesso de telas fragmentou o foco
- Dificuldade constante para concluir tarefas iniciadas.
- Perda frequente de foco durante conversas ou leituras simples.
- Necessidade de reler o mesmo texto diversas vezes.
- Impulso de checar o celular enquanto assiste a um filme.
- Sensação de cansaço mental constante com baixa produtividade.
Como o celular prejudica a memória e a leitura
A atenção funciona como a porta de entrada para a retenção de informações no cérebro. Quando o foco é desviado pelas notificações, o registro dessas informações fica incompleto. Dessa forma, a memória perde a capacidade de resgate.
Além disso, as plataformas digitais têm como foco oferecer estímulos rápidos. Em contrapartida, ler um livro ou assistir a um filme exige foco prolongado. Quem se acostuma com o ritmo acelerado das telas sente mais dificuldade em manter a concentração em atividades longas.
A neurologista destaca que esse cenário não representa uma perda definitiva do foco. O cérebro apenas se acostumou com um padrão de estímulos muito intenso.
10 passos para recuperar o foco sem abandonar as telas
Recuperar o foco não exige uma mudança radical. O ideal é treinar períodos curtos de atenção total e ampliar esse tempo gradualmente.
- Defina horários para o celular: estabeleça momentos fixos no dia para checar mensagens e redes sociais.
- Desative notificações dispensáveis: desligue alertas sonoros e visuais para evitar interrupções no trabalho ou no estudo.
- Evite usar o celular nas refeições: mantenha os aparelhos afastados durante o almoço, o jantar e as conversas.
- Foque em uma tela por vez: não mexa no smartphone enquanto assiste à televisão.
- Resista ao impulso nas tarefas difíceis: tente permanecer mais alguns minutos na atividade antes de buscar uma pausa digital.
- Desconecte-se antes de dormir: evite as telas próximo ao horário de deitar para garantir a qualidade do sono.
- Pratique leituras diárias: dedique alguns minutos do dia para ler livros ou textos longos sem interrupções.
- Realize uma atividade por vez: evite executar várias tarefas ao mesmo tempo para reduzir o desgaste mental.
- Crie pausas sem estímulos digitais: reserve momentos do dia para descansar a mente sem notificações ou vídeos.
- Faça atividades ao ar livre: caminhe sem o celular para treinar a atenção plena nos elementos ao seu redor.
A saúde mental e o foco também dependem de hábitos saudáveis. Uma noite de sono regulada, a prática diária de exercícios físicos e pausas adequadas são essenciais para manter o bom funcionamento do cérebro diante das telas.







