Atualmente, é comum conhecer o termo burnout, uma condição ocupacional relacionada ao excesso de pressão e carga de trabalho. Contudo, menos pessoas estão cientes da existência do boreout, uma síndrome que supostamente decorre do tédio e da falta de estímulos adequados no ambiente profissional.
Embora o conceito não seja novo, ele começou a ganhar destaque recentemente, impulsionado pela crescente quantidade de pessoas que relatam frustração com rotinas monótonas e pouco desafiadoras.
Aqueles que enfrentam burnout frequentemente consideram essa ideia como uma forma de humor: é realmente possível que alguém se sinta incomodado por não enfrentar exigências no trabalho?
Para compreender melhor o que caracteriza o boreout.
É viável sofrer devido ao tédio no trabalho?
Isso pode surpreender muitas pessoas que desejam um trabalho menos angustiante, mas a resposta é positiva! Diversas pesquisas ao redor do mundo têm evidenciado que, dependendo do ambiente, muitos trabalhadores relatam emoções psicologicamente negativas decorrentes de um trabalho com escassas demandas.
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No entanto, é importante não se deixar levar pelo “bore” de boreout: não se trata apenas de tédio nas queixas dos que afirmam sofrer com essa condição. Aqueles que se sentem assim também mencionam uma falta de sentido em suas atividades e uma escassez de perspectivas de crescimento na carreira, percebendo-se como estagnados.
Um dos estudos mais abrangentes realizados na área, conduzido em 2021 na França, reuniu questionários de mais de 500 trabalhadores para entender as causas do boreout no país. A pesquisa identificou quatro eixos fundamentais associados à “síndrome”: a percepção de que a carga de trabalho era insuficiente, falta de estímulos no emprego, sentimento de culpa associado ao trabalho, e incompatibilidade entre os valores pessoais e a realidade profissional.
Apesar dos avanços nas pesquisas sobre o tema, o boreout ainda está em seu estágio inicial comparado ao burnout no que diz respeito aos estudos científicos.
Boreout versus burnout: conheça as distinções
Como se manifestam
- Burnout– Relaciona-se ao excesso de exigências laborais, com uma rotina estressante repleta de demandas e pressão.
- Boreout – Falta de estímulos no trabalho, resultando em tarefas que parecem sem sentido ou em subutilização no ambiente profissional.
Sintomas comuns
- Burnout – Exaustão, insônia, ansiedade, despersonalização e declínio do desempenho no trabalho.
- Boreout – Tédio, culpa, baixa autoestima, depressão e apatia.
Consequências no ambiente profissional
- Burnout – Este problema está associado a um maior risco de afastamento do trabalho através de atestados médicos.
- Boreout – Pesquisas indicam que indivíduos que se sentem como tendo a “síndrome” apresentam uma maior intenção de deixar o emprego do que aqueles satisfeitos. No entanto, a ausência de um diagnóstico oficial diminui a probabilidade de afastamento por licença médica.
Reconhecimento científico e médico
- Burnout – Descrito pela primeira vez na década de 1970, possui um histórico mais extenso de investigações e foi oficializado no CID-11 em 2022.
- Boreout – Conceito bastante recente, introduzido já no século 21, conta com menos estudos que buscam entender o fenômeno. Atualmente, não é (e provavelmente não será) um diagnóstico oficialmente reconhecido.







