O estresse crônico no ambiente profissional, conhecido como Síndrome de Burnout, e a importância de constituir redes de apoio para as mães foram os tópicos centrais da audiência pública “A Saúde Mental da Mulher e os Desafios das Mães Atípicas”. O evento, organizado pela Comissão Permanente da Defesa da Mulher, ocorreu na última sexta-feira (29/05) no Plenário da Câmara do Rio.
Ao abrir os trabalhos, a vereadora Helena Vieira (PSD), presidente da comissão, destacou a realidade dessas mulheres. “Quando abordamos o tema das mães atípicas, estamos nos referindo a mulheres que enfrentam uma rotina intensa de amor, dedicação e batalha. São aquelas que cuidam de filhos com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento, doenças raras ou condições que demandam atenção contínua e especializada; elas sacrificam a própria carreira, a vida social, o descanso e até a saúde para assegurar dignidade, cuidado e acolhimento a seus filhos”, declarou.
A jornalista Izabella Camargo, uma das convidadas, enfatizou a urgência dos cuidados cotidianos com a saúde mental. “Ao perceber que tudo impacta a saúde mental e que a saúde mental impacta tudo, ganho mais consciência de que todos os ambientes são necessários e viáveis para discutirmos o assunto. Não posso mais limitar a saúde mental ao consultório ou a ocasiões esporádicas. Essa questão merece atenção diária”, salientou.
Por sua vez, a secretária municipal da Pessoa com Deficiência, Helena Werneck, apontou o avanço na conscientização sobre o tema em comparação com décadas pretéritas. “Atualmente, o acesso à informação e ao suporte é muito maior do que quando me tornei mãe atípica, há 38 anos”, comparou a gestora.
O evento contou com a participação de mães atípicas em busca de redes de suporte e de apoio junto aos parlamentares, visando garantir proteção e bem-estar para seus filhos. Para Luciana de Lima, mãe atípica residente no Complexo do Chapadão, é fundamental reconhecer que várias mães acabam negligenciando o próprio cuidado. “É preciso compreender, de modo concreto, que não adianta repetir frases como ‘quem cuida de quem cuida?’ sem oferecer nenhuma mudança real para quem necessita de amparo”, criticou.
No encerramento, Izabella Camargo foi agraciada com o conjunto de medalhas Chiquinha Gonzaga, uma das mais elevadas distinções da Câmara do Rio, em reconhecimento ao seu trabalho com saúde mental em todos os contextos, não apenas no âmbito familiar.
Também integraram a mesa de honra a vereadora Gigi Castilho (PL), vice-presidente da Comissão, de forma remota, e a nutricionista e mãe atípica Dayana Araújo.







