Matisse Thybulle raramente surge entre os nomes mais comentados do Lakers, mas a equipe tem rendido mais com ele em quadra do que o box score deixa transparecer. Nos dois jogos em que começou como titular, acumulou saldo de +25, converteu metade dos arremessos de três e cometeu um erro em 47 minutos. Diante do Jazz, a missão dele deve ser marcar Keyonte George.
+25 — O saldo do Lakers com Matisse Thybulle em quadra nos dois jogos: +12 e +13.
4 de 8 — As bolas de três dele na temporada, com 50% de aproveitamento.
1 erro — Em 47 minutos, em um time que perde 19,5 bolas por jogo.
2 vezes — As seleções de defesa da NBA que ele já integrou, pelo 76ers.
O titular que não pede a bola
No quinteto de JJ Redick, cada atleta tem uma função bem definida. Luka Doncic e Austin Reaves criam as jogadas, Walker Kessler finaliza perto do aro e Ziaire Williams ataca os espaços. Thybulle fica com a parte que costuma passar despercebida: marcar o melhor jogador de perímetro do adversário, correr para fechar os arremessos e aguardar a bola sobrar no canto.
Na estreia, contra o Warriors, a contribuição ofensiva foi mínima: 3 pontos, com 1 de 4 nos arremessos. Ainda assim, o Lakers venceu os minutos dele por 12. No clássico, ele apareceu mais no ataque, com 13 pontos e três bolas de três em seis tentativas. O saldo foi ainda melhor: +13.
Warriors — 3 pontos em 23 minutos, 1 roubo, 1 toco e saldo de +12.
Clippers — 13 pontos em 24 minutos, 3 de 6 de três, 2 roubos, 1 toco e saldo de +13.
Total — 16 pontos, 6 de 12 nos arremessos, 3 roubos, 2 tocos e só 1 erro.
Uma especialidade antiga
A reputação de Thybulle nasceu no 76ers. Em Philadelphia, ele foi escolhido duas vezes para a segunda seleção de defesa da NBA, em 2021 e 2022, mesmo atuando pouco mais de 20 minutos por noite. Ficou conhecido por roubar bolas e por bloquear arremessos de três, algo incomum para um ala. Em 2021-22, registrou 1,7 roubo e 1,1 toco por jogo em 25 minutos.
Mais tarde, foi para Portland, onde passou quatro temporadas e teve participação cada vez menor nos dois últimos anos. Em 2025-26, jogou apenas 30 partidas, todas saindo do banco. Chegou ao Lakers com contrato de um ano, na mesma situação de Ziaire, precisando provar que ainda pode ser titular em um time que briga no topo.
Há um detalhe que mudou desde Philadelphia: o arremesso. No 76ers, Thybulle acertava cerca de 31% das bolas de três, e as defesas o deixavam livre de propósito. Em Portland, a mira melhorou. Foram 43,8% em 2024-25 e 39,8% em 2025-26, com menos tentativas. No Lakers, já são 4 de 8. Se esse número se mantiver perto dos 40%, a defesa adversária não poderá mais ignorá-lo, e o espaço para Doncic e Reaves aumenta.
Por que o saldo importa
O saldo de quadra é uma estatística imperfeita, sobretudo em amostra pequena. No caso de Thybulle, porém, ele ajuda a revelar o que o box score esconde. Com ele em quadra, o Lakers pode deixar Doncic marcando um jogador menos perigoso, o que preserva energia do esloveno para o ataque. É uma troca que Redick valoriza desde a pré-temporada, quando o colocou entre os titulares.
O cuidado com a bola também pesa. O Lakers comete 19,5 erros por jogo, e Thybulle cometeu um só em dois jogos. Em uma equipe em que os criadores perdem a bola com frequência, ter um titular que não arrisca passe nem drible desnecessário dá estabilidade ao quinteto.
A dupla de alas titulares também funciona em conjunto. Com Ziaire Williams do outro lado, o Lakers tem dois jogadores longos e atléticos no perímetro, capazes de trocar marcação sem perder tamanho. Ziaire teve saldo de +21 nos dois jogos, e Thybulle, de +25. Para um quinteto que chegou a ser questionado na pré-temporada, é um começo que dá argumentos a Redick.
O teste contra Keyonte George
Neste domingo, em Salt Lake City, o trabalho dele deve ter nome. Keyonte George é o cestinha do Jazz, com 20,5 pontos por jogo, e o principal criador do time, com 10 assistências contra o Pelicans. Se Thybulle conseguir tirar o armador do ritmo, o ataque do Jazz perde a primeira opção, e o restante do time, jovem e irregular, passa a decidir.
É o tipo de missão em que ele cresce. Não vai render manchete nem destaque no Instagram. Mas, se o Lakers voltar de Utah com o 3-0, boa parte da explicação pode estar nos minutos de um titular que quase ninguém nota. A bola sobe às 18h, horário de Brasília.






