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“Esports é indústria de entretenimento, não é esporte”

Ana Moser, 54, ex-jogadora de vôlei e ministra do Esporte do governo Lula, disse nesta terça-feira (10) que não pretende investir nos esportes eletrônicos.

“O esporte eletrônico é uma indústria de entretenimento, não é esporte”, afirmou a ministra em entrevista ao portal Uol. “O atleta de esports treina, mas a Ivete Sangalo também treina para dar um show e ela não é um atleta, ela é uma artista que trabalha com entretenimento.”

Para a ex-jogadora de vôlei, jogos eletrônicos não são “imprevisíveis”. “É desenhado por uma programação digital, cibernética. É uma programação, ela é fechada, diferente do esporte.”

No comando da pasta do Esporte, ela afirmou que não tem intenção de investir nessa área. Ana também citou que, quando estava à frente da “Atletas pelo Brasil”, uma organização sem fins lucrativos que reúne atletas e ex-atletas em torno de pautas relacionadas ao esporte, atuou para impedir a equiparação entre a prática de esportes e esports.

“[Nós] fizemos uma ação muito forte junto ao legislativo para o texto da Lei Geral [do Esporte] não ser aberto o suficiente para ter o encaixe dos esportes eletrônicos. O texto está lá protegendo o esporte raiz. A definição de esporte tinha sido dado uma abertura que poderia incluir esporte eletrônico, e a gente fechou essa definição para não correr esse risco.”

Sem ser classificado como esporte, os atletas de esportes eletrônicos não teriam acesso a Bolsa Atleta, Lei de Incentivo ao Esporte e recursos públicos de Esporte de forma geral, por exemplo.

Em maio do ano passado, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado aprovou o projeto de lei do Plano Nacional do Desporto (PND), que tramitava na casa há cinco anos e tem por finalidade reorganizar todo o arcabouço legal do sistema desportivo brasileiro.

Entre as novidades aprovadas na CE na época estava o conceito do que é esporte. A comissão de juristas havia sugerido que esporte é uma atividade “predominantemente física”, o que foi alterado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) quando o texto passou por lá, para incluir também práticas como enxadrismo e jogos eletrônicos, que dependem mais da mente.

O texto que foi ao Plenário, porém, retoma o conceito anterior, dizendo que esporte é “toda forma de atividade predominantemente física que, de modo informal ou organizado, tenha por objetivo atividades recreativas, a promoção da saúde, o alto rendimento esportivo ou o entretenimento”.

Como os jogos eletrônicos não são “predominantemente físicos”, eles não são considerados esporte, nesta versão.

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