Em maio, a Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) leva ao público a mostra Caminhos da Cidadania, uma iniciativa voltada para a conservação da memória institucional e para a análise sobre a função do Legislativo na formação da história e da cidadania no Espírito Santo ao longo de 190 anos.
A exibição agrega documentos, fotografias e registros históricos que auxiliam na compreensão dos contextos, das discussões e das deliberações que caracterizaram a jornada da Assembleia Legislativa desde sua fundação, em 1835. Ao percorrer essa trajetória, a iniciativa convida os visitantes a enxergar o passado como um instrumento fundamental para interpretar o momento atual e pensar sobre os rumos da democracia.
Dentre os assuntos tratados estão as diversas sedes que abrigaram a Assembleia através dos anos, biografias de deputados que influenciaram a história capixaba, anotações das sessões plenárias e a transformação dos sistemas de transporte que definiram o progresso do estado.
Pesquisa e memória
Para o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União), a exposição consolida o empenho da Casa com a preservação histórica e com o estreitamento de laços com a comunidade.
“A investigação que fundamenta esta exposição é um trabalho que a Assembleia ainda não havia realizado sobre si própria. Estamos demonstrando, com base em fontes primárias, como esta Casa sempre participou da vida do Espírito Santo discutindo saúde, educação, transporte, as grandes questões de cada período. É uma narrativa de quase dois séculos que merecia ser relatada com esse cuidado”, declara.
O material apresentado é fruto de um minucioso trabalho de pesquisa histórica, realizado mediante convênio entre a Ales e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), sob a coordenação das historiadoras Adriana Campos e Kátia Sausen da Motta, através do Laboratório de História, Poder e Linguagens da Ufes. A supervisão de conteúdo fica a cargo do professor João Gualberto Moreira Vasconcellos.
O projeto organizou e sistematizou o acervo histórico entre 1829 e 1930, estendendo a pesquisa até a Constituinte de 1989, reforçando, assim, o acesso ao patrimônio memorial público.
De acordo com Adriana, o trabalho de investigação proporcionou achados sem precedentes. “Foram localizadas sedes diferentes onde a Assembleia atuou ao longo de sua história, uma quantidade muito maior do que a registrada oficialmente. Foram relacionados aproximadamente 856 parlamentares que passaram pela Casa desde 1835, incluindo deputados do período provincial, do Congresso estadual e da fase republicana”, relata.
Curadoria
A curadoria é assinada por Ronaldo Barbosa, um dos mais importantes designers e artistas do Espírito Santo, com mais de cinco décadas de trajetória e atuação de reconhecimento nacional. Incumbido de converter o extenso levantamento documental em uma experiência de visitação acessível e relevante, Ronaldo Barbosa ressalta ainda a contribuição de sete artistas contemporâneos capixabas convidados para a mostra.
“Além de o público conseguir realizar um trajeto do passado ao presente, existe um diálogo com a arte contemporânea e um sólido projeto de arte-educação, no qual jovens poderão conhecer a Casa legislativa e compreender melhor os valores democráticos”, afirma.







