A cada dia que passa mais ouvimos ou lemos notícias de que a Inteligência Artificial (IA) veio para ficar, que isso ou aquilo avançou e empregos serão substituídos. Só que não é disso que vamos falar hoje. Nem das milhares de imagens e vídeos feitos por IA que emulam um tricô, um bordado, um crochê ou qualquer outro artesanato.
Nesse período de hiato da coluna aqui nO Capixaba e de tanto blablabla de IA, preferi focar no que realmente importa, criar algo com as mãos. Seja uma roupa feita do zero, do molde às costuras, uma bolsa de crochê, um bordado para enfeitar uma toalha. O mal de toda artesã é querer fazer mais do que dá conta.
Já falei em outros artigos da filosofia do livro “No enxame: perspectivas do digital”, de Byung-Chul Han, que a atrofia das mãos leva à atrofia do pensamento. Então assumi uma postura de criação constante como desenvolvimento constante do pensamento, do raciocínio, resumindo, estar em constante aprendizado.
Após criar a minha primeira coleção de roupas, definir o nome da minha marca e me personificar nela, posso dizer com plena confiança que, como artesã, a criação não tem um fim monetário. Me sinto mais realizada em criar algo novo e dizer que eu fiz, do que propriamente vender o que acabei de produzir. Falo isso, principalmente, porque (nós artesãs e artesãos) temos um costume de achar que se fizemos algo temos que vender, se não, não valeu a pena.
Posso não ter muita experiência em criar coleções e ainda ser jovem, mas ouvi muito que venderia toda a coleção, antes mesmo de lançar. Tudo bem, precisamos de incentivo e motivação, só que sempre tive o pé no chão, já vinha dizendo pra mim mesma que “se vender, vendeu, se não vender, não vendeu”. Isso não impacta no que fiz, no que sou, no que queria e quero fazer daqui pra frente. A vida continua e assim deve ser. Me surpreendi que mais importante do que fazer uma coleção, foi as encomendas que recebi, como faço roupa sob medida, isso fez a diferença.
E por mais que a Era da IA me dê uma onda de pessimismo, principalmente acompanhando notícias de como a IA é usada em guerra ou “segurança”, uma coisa não muda, a vontade de criar! Esse é o meu alívio, e acredito de várias artesãs e artesãos, de que essa vontade é o que nos faz humanos, que essa vontade nos desafia, nos faz criativos e inventivos. Me pergunto qual a próxima novidade vou criar, ou qual moda vou inventar. Você já se perguntou isso hoje?






