A Câmara Municipal de Linhares promoveu uma audiência pública para debater a Campanha da Fraternidade 2026, cujo tema é “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). A proposta, apresentada pelo vereador Caio Ferraz, congregou agentes do poder público, da Igreja Católica e da sociedade civil para tratar de um assunto premente: o direito a uma moradia digna.
O vereador Caio Ferraz enfatizou que a discussão sobre moradia transcende a simples edificação de residências. “Quando falamos de moradia, não estamos falando apenas de um teto. Estamos falando de dignidade, de segurança, de pertencimento. É a base para que uma pessoa possa reconstruir a sua vida”, declarou.
O cenário nacional e local
Ele também destacou a realidade do país e do município, mencionando que o Brasil possui um déficit habitacional acima de 6 milhões de moradias e que mais de 300 mil pessoas vivem em situação de rua. Em Linhares, conforme seus dados, aproximadamente 60 indivíduos se encontram nessa condição.
O parlamentar ainda salientou a função da Casa da Acolhida na cidade, que proporciona não só abrigo, mas também direcionamento para atendimento de saúde e iniciativas de reinserção social. “Não é apenas um espaço de acolhimento, é um espaço de recomeço”, afirmou.
Iniciativas habitacionais e demanda existente
Outro ponto abordado foi o progresso habitacional no município, com a conclusão de conjuntos como Jocafe I e II, Rio Doce e Mata do Cacau, além de novos empreendimentos em andamento, como o Nova Santa Cruz I e II. Apesar dessas ações, mais de 3.000 famílias continuam na fila por uma casa própria.
Em sua intervenção, o padre Hansmiller ressaltou o papel da Igreja na defesa da dignidade humana através da Campanha da Fraternidade. “Neste ano, a Igreja lança o olhar sobre a moradia, entendendo que ela é fundamental para a dignidade da pessoa. É uma questão complexa, que exige união e responsabilidade, por isso a importância do diálogo na busca por soluções. A Igreja se coloca nesse caminho, contribuindo e refletindo sobre o que estamos fazendo em nosso município. Precisamos evitar julgamentos e olhar para essas pessoas com caridade, como Cristo nos ensinou”, finalizou.
O trabalho das equipes de abordagem
Jenífer Pagung, do setor de Abordagem Social, reforçou a metodologia de atuação. “Nosso trabalho é baseado no diálogo e no convencimento, já que não há como obrigar o acolhimento. Ofertamos os serviços da assistência social a partir da construção de confiança. Entendemos tanto a dor do morador quanto de quem está na rua. Cada pessoa tem uma história e precisa ser vista com respeito, empatia e um olhar caridoso”, explicou.
A audiência também proporcionou a participação dos cidadãos, fortalecendo o debate e a busca conjunta por soluções para o município. Ao término, ficou claro que se trata de uma questão complexa, que demanda esforço contínuo, realizado com paciência, responsabilidade e, acima de tudo, humanidade.
“Muitas vezes, a população não conhece de perto essa realidade, o que pode gerar julgamentos e preconceitos. No entanto, é fundamental reforçar que cada pessoa em situação de rua é, antes de tudo, um ser humano, que precisa ser visto com respeito, amor e compaixão”, destacou o vereador Caio Ferraz.







