Deixar a criança errar faz parte do aprendizado

Errar constitui parte fundamental da aprendizagem infantil, uma vez que favorece persistência, flexibilidade e autoconfiança. De acordo com especialistas, os adultos não devem corrigir as falhas imediatamente nem executar a tarefa pela criança, mas acolher a frustração e valorizar o esforço em lugar de apenas o resultado final. Tal postura evita que o erro seja associado à incapacidade e demonstra que habilidades demandam prática. Recursos que possibilitam refazer tarefas também contribuem para tornar o processo educacional mais leve e construtivo.

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Errar é parte do processo de aprendizagem. Para uma criança, entretanto, perceber que algo não saiu como esperado pode gerar frustração, sobretudo quando ela ainda está conhecendo as próprias capacidades. Nesses instantes, a reação dos adultos pode influenciar o modo como ela passa a lidar com as próprias dificuldades.

A psicóloga clínica Anastacia Cristina Macuco Brum Barbosa, formada em Psicologia, com pós-graduação em Psicanálise Clínica e especializações em Neuropsicologia e TDAH, explica que tentativa, erro e novas tentativas integram o aprendizado.

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“Quando retiramos da criança todas as possibilidades de errar, podemos até produzir uma criança que ‘acerta’, mas não necessariamente alguém que confia na própria capacidade de aprender. O erro não é o oposto do aprendizado; em muitos casos, ele é parte dele”, afirma.

Nem todo erro requer correção imediata

Ao notar uma criança com dificuldade, é comum que o adulto deseje resolver a situação depressa. Contudo, permitir que ela reflita sobre o ocorrido e busque outro caminho pode ser mais relevante do que simplesmente apresentar a resposta. “Quando ela erra, em lugar de corrigir logo ou fazer por ela, podemos perguntar: ‘O que você acha que aconteceu?’ ou ‘Quer tentar de outro jeito?’”, recomenda Anastacia Cristina Macuco Brum Barbosa.

A psiquiatra Jéssica Martini destaca que é possível acolher a frustração sem tirar da criança a chance de enfrentar determinada dificuldade. “O adulto responsável pode dizer: ‘Eu sei que você ficou frustrado porque não conseguiu, mas podemos pensar em outra maneira de tentar’, o que representa reconhecer o sentimento e, simultaneamente, incentivar uma nova tentativa”, diz.

“Eu não consegui ainda” não é o mesmo que “eu não consigo”

Um dos principais aprendizados que surgem quando a criança dispõe de espaço para tentar de novo é compreender que uma dificuldade não define sua capacidade. “Isso ensina algo muito valioso: ‘Eu não consegui ainda’ difere de ‘eu não consigo’. A oportunidade de tentar novamente constrói flexibilidade, persistência e confiança”, afirma Anastacia Cristina Macuco Brum Barbosa.

Para Jéssica Martini, essa vivência evidencia que algumas habilidades requerem tempo, prática e persistência. “Aos poucos, a criança entende que não conseguir algo na primeira tentativa não indica que ela não será capaz de aprender. Esse aprendizado pode se manifestar em situações simples, como uma conta que não deu certo, uma palavra grafada incorretamente, uma atividade escolar mais desafiadora ou até uma brincadeira em que a criança ainda não domina certa habilidade”, revela.

Valorizar o processo também é essencial

A forma como os adultos elogiam e conversam sobre as conquistas também pode modificar a relação da criança com o erro. Em vez de enfatizar apenas o resultado, é possível reconhecer o esforço e as estratégias utilizadas ao longo da tentativa.

“Você tentou de outro jeito”, “Você percebeu o que não funcionou” e “Você continuou mesmo estando difícil” são algumas maneiras de mostrar que o percurso também importa, exemplifica Anastacia Cristina Macuco Brum Barbosa.

Jéssica Martini acrescenta que críticas, comparações e rótulos podem fazer a criança associar o erro à incapacidade. “Quando isso ocorre, ela pode passar a evitar desafios ou esconder que está com dificuldade por medo de ser julgada”, alerta a psiquiatra.

A frustração também merece espaço

Para Anastacia, a maneira como os adultos reagem aos momentos de dificuldade também influencia como a criança aprende a conviver com a frustração. “É preciso cuidado para que a nossa ansiedade não se transforme em cobrança sobre a criança. A frustração não precisa ser eliminada de imediato. Trata-se de uma experiência importante, desde que a criança não esteja sozinha nela”, afirma.

Jéssica Martini segue a mesma linha e explica que acolher não significa resolver tudo pela criança. “O adulto pode reconhecer o que ela está sentindo, oferecer apoio e ajudá-la a pensar em alternativas”, diz. Esse acompanhamento permite que a criança perceba que pode se frustrar, pedir ajuda e continuar tentando sem que o erro se torne um julgamento sobre sua capacidade.

Aprender pode ser uma experiência mais leve

Materiais que possibilitam experimentar e refazer também auxiliam a criança a encarar o erro de outra forma. É o caso da coleção “Resolva, Apague e Refaça”, voltada ao apoio escolar de maneira divertida para crianças a partir de 6 anos.

A linha conta com páginas plastificadas e marcadores hidrográficos que permitem apagar e refazer as atividades. Entre os títulos estão “Tabuada” e “Adição e Subtração”, com propostas direcionadas à prática da matemática. Para Carmen Pareras, diretora da Editora Catapulta, a possibilidade de refazer uma atividade torna o aprendizado mais próximo da realidade infantil.

“A possibilidade de apagar e refazer mostra para a criança que ela não precisa acertar de primeira. Ela pode experimentar, perceber o que não funcionou e tentar novamente. Isso torna o aprendizado mais leve e dinâmico”, afirma.

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Redação
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