A economista e ex-secretária do Tesouro Nacional Ana Paula Vescovi analisou que a falta de confiança nas instituições brasileiras configura um dos maiores custos para o país a longo prazo. Em entrevista ao WW, ela enfatizou que, embora alguns indicadores econômicos apresentem sinais levemente otimistas, o ambiente institucional desfavorável prejudica o potencial de crescimento do Brasil.
De acordo com Vescovi, o debate econômico que precede as eleições de 2026 já está em andamento, principalmente entre assessores e aqueles responsáveis pela criação dos planos de governo.
Entretanto, ela destacou que o período eleitoral raramente oferece um ambiente propício para que os candidatos expressem abertamente suas preocupações quanto à necessidade de ajustes fiscais.
Restrição fiscal no centro do debate
A especialista argumentou que um legado valioso da campanha eleitoral seria se os candidatos explicassem ao eleitor, de maneira clara, os limites do Estado e as implicações das decisões fiscais tomadas nas últimas décadas.
“O governo não tem controle absoluto, existem limites”, declarou Vescovi. Segundo ela, a dívida pública aumentou em cerca de 30 pontos percentuais nos últimos 15 anos, e o país inevitavelmente terá que lidar com o ajuste das contas públicas.
Vescovi advertiu que um Estado desequilibrado traz consequências diretas à sociedade, como altas taxas de juros, um custo de capital que inibe o investimento empresarial, políticas públicas sufocadas e um baixo crescimento econômico.
“Não adianta manter um Estado desequilibrado e caótico, pois isso resultará apenas em taxas de juros extremamente elevadas”, afirmou a economista.
Credibilidade e confiança institucional
Ao ser perguntada sobre a importância da credibilidade no contexto político e econômico, Vescovi foi clara: “A confiança tem um custo.” Para ela, a perda de confiança entre os mercados e o setor empresarial, especialmente na hora de fazer decisões de investimento, está custando caro ao Brasil.
Apesar da taxa de desemprego estar em níveis historicamente baixos e da renda das famílias crescer cerca de 5% ao ano, o aumento do endividamento de famílias, empresas e governos revela a fragilidade do cenário atual.
A economista ressaltou que a credibilidade deve ser desenvolvida de forma institucional. Para ela, o Brasil não conseguirá capitalizar as oportunidades que surgem no contexto global sem integrar instituições e o setor privado em torno de uma agenda de responsabilidade fiscal.
Inércia estrutural e necessidade de mudança
Vescovi também chamou a atenção para a inércia das políticas sociais e dos subsídios acumulados ao longo de décadas, assim como para os gastos parafiscais — que são realizados através de operações de crédito ou fundos públicos garantidores — que facilitam o gasto sem transparência orçamentária direta.
Para a especialista, o Brasil precisa ter uma visão mais estratégica de seu futuro e seguir um caminho diferente dos países que continuam a se endividar. “Precisamos abordar a situação de forma distinta neste momento, pois estamos em uma posição única”, concluiu.







