Tarifaço: Reciprocidade pioraria situação do Brasil

Um novo e iminente tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil voltou a acionar o alerta do governo brasileiro em relação ao diálogo bilateral com Washington.

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O discurso em defesa da soberania nacional, já empregado em 2025 diante da primeira ofensiva comercial de Donald Trump, retorna ao centro das atenções.

Na véspera da confirmação da alíquota de 25% para diversos produtos brasileiros, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que considerava provável uma retomada do processo da Lei de Reciprocidade caso o novo tarifaço se concretizasse.

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No dia seguinte, Durigan voltou a se manifestar, enfatizando que “o país vai se proteger, vai se fazer respeitar”.

Contudo, o tom foi rapidamente ajustado. “Não cabe falar em retaliação. Retaliação é uma palavra que está fora do nosso escopo e está fora do nosso trabalho”, afirmou Durigan dois dias depois.

A CNN Brasil apurou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou estudos de impacto e adotou uma postura cautelosa quanto à aplicação da Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos.

Essa estratégia busca não apenas evitar aumentos ainda mais expressivos nas tarifas, mas também conter a alta de preços para o consumidor brasileiro.

“Vamos com cautela”, disse o ministro da Fazenda à CNN Brasil.

O mercado e especialistas acompanharam os movimentos recentes com apreensão, especialmente focados na reação do governo brasileiro.

Segundo José Niemeyer, economista e professor do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), os EUA são muito mais importantes para o Brasil do que o inverso.

Nos últimos 15 anos, a relação bilateral gerou para os Estados Unidos um superávit comercial de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços, conforme dados divulgados pelo governo brasileiro.

Por essa razão, a postura adotada pelo Palácio do Planalto até o momento “é muito ruim” para a diplomacia entre os dois países, avalia Niemeyer.

“O Brasil precisa ter uma conversa próxima com a Casa Branca, independentemente das administrações”, defende o economista.

Mesmo que o Brasil busque uma negociação via Lei de Reciprocidade, Roberto Azêvedo, ex-diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), afirma não acreditar na reversão das tarifas.

“O comportamento dos dois lados não irá mudar. O Brasil não tem agido com criatividade nas negociações e prefere negociar no sentido de pedido e oferta. Os Estados Unidos não esperam esse tipo de dinâmica”, explica.

Azêvedo ainda alerta que a opção por retaliar contra os EUA poderia acarretar consequências severas, como uma sobretaxação ainda maior por parte do governo norte-americano.

A nova taxa de 25%, que passará a vigorar, deve impactar US$ 11 bilhões em exportações, conforme levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgado recentemente.

Em nota, a entidade manifestou extrema preocupação com a adoção da tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre itens brasileiros.

A Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), por sua vez, solicita que o governo brasileiro conduza, com urgência, uma negociação mais eficaz do que a apresentada até agora, de modo a preservar a indústria nacional, os empregos e as relações comerciais com os Estados Unidos.

“Diante da relevância econômica e social dessa pauta, seria necessária uma atuação mais efetiva do governo brasileiro, dissociada dos componentes políticos e focada na negociação diplomática”, afirmou a associação.

Com a entrada em vigor da medida, o Brasil se torna o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China, com taxas efetivas médias superiores a 18%, segundo o GTA (Global Trade Alert).

A ação ainda pode reduzir o fluxo comercial em cerca de US$ 1 bilhão e gerar um impacto de aproximadamente 0,03% no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, conforme Felipe Cima, analista de renda variável da Manchester Investimentos.

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